Um dia de cada vez

O que é preciso é viver Um Dia de Cada Vez! O que é preciso é dizer Um Dia de Cada Vez. A jornalista Teresa Dias Mendes abre a janela da rádio e interroga a dura prova da passagem dos dias: os receios, os novos desafios, o modo como se resiste a um isolamento exigente.
Para ouvir de segunda a quinta-feira, depois das 19h00 e em TSF.PT

Porque conversar é caminhar com palavras

PSP: a paixão de ser polícia

Costuma dizer que "veio com a Covid". Nomeado para o Comando Metropolitano da PSP de Lisboa a 6 de março, o Superintendente Domingos Urbano Antunes não tem tido mãos a medir desde então. Por ele passam todas as decisões operacionais da Área Metropolitana de Lisboa. Um dia de cada vez, 24 horas por dia.

Prontidão e eficácia, gestão de escalas, suspensão de férias e de folgas, o teletrabalho não foi opção para a PSP. Produziram as próprias viseiras, criaram o novo dispositivo de afastamento e imobilização, o DAI, que permite a distância necessária para as detenções que se impõem, viraram também eles a vida do avesso com a chegada "do maldoso vírus". Não se pode prender, interrogar ou simplesmente mandar seguir viagem. Eles, os polícias, também são rostos da linha da frente. Em Lisboa, é o Superintendente Antunes que dirige as operações. Tudo começa dentro de casa.

No Comando Metropolitano de Lisboa foi preciso fazer turnos para a messe tal como nos restaurantes, proceder à limpeza rigorosa dos telefones e microfones da sala de comunicações, garantir a desinfeção das viaturas a cada mudança de equipa, no bar já só entram 12 de cada vez, e as redes sociais foram ajudando a transmitir informações de dentro para fora.

Ninguém está só.

"As intervenções não são todas plenas de sucesso e os contextos determinam as reações", responde o Superintendente Domingos Antunes, num balanço destes meses atribulados, "neste tempo todo, julgo eu, tivemos algumas resistências, mas na generalidade as intervenções foram bem sucedidas. A polícia não atua contra ninguém, mas em nome da comunidade." Está orgulhoso com a missão cumprida até aqui e acredita que a PSP tem sabido "dar uma resposta de grande maturidade, garantindo os direitos sem exorbitar funções, ou o uso da força." Se as pessoas cumprirem, facilita.

Recorda, com a mesma impressão, as imagens dos polícias que foram cantar os parabéns e as realidades sociais que se foram destapando na área metropolitana de Lisboa. Solidão, pânico, isolamento e abandono. Um certo dia foram chamados a uma casa na Amadora, e deram com 13 gatos mortos, esquecidos pelos donos, noutro ao Campus da justiça, onde o arguido acabara de afirmar em pleno interrogatório, ser portador de Covid, noutro ainda em Lisboa, um senhor queixa-se do ruído do prédio do lado, onde 2 alunos confinados, dedilhavam o piano para prestar provas para o Conservatório. O chefe operacional da PSP de Lisboa admite um dia ainda escrever estas histórias, para já concentra-se na fiscalização do desconfinamento. É preciso ponderação.

Padre ou polícia? Domingos Antunes chegou a ser seminarista em Braga, mas o chamamento de servir os outros acabou por ser mais forte, na corporação da polícia: "Isto é quase um celibato, entro às 8 da manhã e nunca sei quando saio". O pai já tinha sido polícia em Angola, mas o caminho foi ele que o encontrou. Confessa que todos os dias de manhã, coloca o fio e o crucifixo oferecidos pela mãe e faz a sua oração: "Rezo por ela e por mim, não se explica, é um ato mesmo muito privado, poucas pessoas o sabem".

31 anos de polícia, licenciatura em Direito e em Ciências Policiais, Domingos Antunes foi o chefe mais novo saído da Escola de Polícia, com 23 anos ,para a esquadra da Parede. Chamavam-lhe o "Chefão", nessa altura e o "24", alcunha que ainda hoje lhe assenta, pela disponibilidade para o serviço. Tem um percurso variado, da Asae ao Corpo de Intervenção, e abraça todas as funções com a mesma devoção: "Olho para trás e digo, valeu a pena".

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