Um dia de cada vez

O que é preciso é viver Um Dia de Cada Vez! O que é preciso é dizer Um Dia de Cada Vez. A jornalista Teresa Dias Mendes abre a janela da rádio e interroga a dura prova da passagem dos dias: os receios, os novos desafios, o modo como se resiste a um isolamento exigente.
Para ouvir de segunda a quinta-feira, depois das 19h00 e em TSF.PT

Porque conversar é caminhar com palavras

Viajar à velocidade dos pés

De Lisboa a Coimbra, foram oito dias de distância. 200 quilómetros, 25 por cada dia em que se fez ao mundo. Gonçalo Cadilhe partiu, desta vez, em busca dos trilhos percorridos pelo jovem Santo António, no início do século XIII. Bastões, sandálias, cartas topográficas do exército, e uma "terrível bolha" a meio da caminhada. "Por este Reino Acima", oitocentos anos depois, e com tanto para descobrir em Portugal.

Deslumbrou-se com a luz matinal, cruzou-se com muitos bagaços matinais enquanto tomava o primeiro café da manhã, inquietou-se com a paisagem de eucalipto e tojal, e o perigo dos caçadores rondou, a certa altura, os passos do viajante, que no Verão de 2018 se fez ao caminho.

Escutamos os pensamentos e as reflexões do autor enquanto folheamos o percurso dividido por cada dia da viagem que começa no Largo de Santo António, no bairro da Sé, em Lisboa, e termina no Mosteiro de Santa Cruz em Coimbra. Gonçalo Cadilhe chama-lhe o primeiro trekking da História de Portugal. Há perfume de especiarias nos diálogos recriados entre o jovem Santo António, (Fernando Martins , à época) e o mercador que o acompanha, e há a brisa dos "sons da paisagem" que o autor nos vai sussurrando, numa viagem "à velocidade do corpo humano".

Já no estúdio, dois anos depois, Gonçalo Cadilhe admite que a publicação do livro é uma "feliz - infeliz coincidência". Feliz porque coincide com o apelo à descoberta do país, infeliz por ser uma viagem atravessada pela pandemia que nos confinou os passos e que teima em ficar.

Gonçalo Cadilhe vive na Figueira da Foz, e foi por perto, na colina do Cabo Mondego que se deixou ficar, numa espécie de torpor, que lhe embalou o confinamento. Como é que se escuta a respiração do Universo, dentro de casa? O viajante que soma 30 anos de caminho, assegura que foi diferente, mas que foi bom, que desfrutou. Entre pequenos percursos percorridos com o filho de 8 anos, o pequeno António, a quem dedica o livro, com a energia das ondas empoleirado na prancha de surf, a pôr ordem nas gavetas e nos apontamentos, a ganhar disciplina para o combate do corpo com as aulas de Pilates. Ganhou fôlego. E na vida, como na caminhada, é importante saber parar, escutar os sinais, identificar os limites.

A proposta é pois, caminhar à velocidade dos nossos pés. Ensaiar um detox tecnológico, e perdermo-nos , se for caso disso, se acontecer. A bússola está em cada um de nós. O livro tem a chancela da Clube de Autor, Gonçalo Cadilhe chama-lhe "um livro coral", de portas abertas para as vozes que habitam a paisagem, "Por Este Reino Acima".

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