Uma questão de ADN

Podem ser irmãos, avós e netos, pais e filhos, companheiros, marido e mulher... São pessoas da mesma família que se juntam para uma conversa em que se fala de tudo. São percursos de vida e testemunhos que atravessam diferentes gerações. O que os une para lá do apelido, o que os separa para lá da diferença de idades. Com Teresa Dias Mendes.

Vítor e Sara Ramalho: crónica de um amor para lá de fixe

Pai e filha. Advogado e médica. África no coração. A política é um outro continente de emoções. E de ações. Não há futuro sem memória.

Nasceu em Angola e é, até hoje, um homem dedicado à cultura e aos povos de língua portuguesa. É Secretário-Geral da UCCLA - União Das Cidades e Capitais de Língua Portuguesa - desde maio de 2013. E o fato parece assentar-lhe à medida.

Nasceu em Angola, numa vila, Caála, à qual chamavam a Rainha do Milho. Cresceu nesta região próspera do planalto central.

Vítor Ramalho é um homem apaixonado por África. E passou o gosto à única filha, Sara Ramalho. Formada em medicina, otorrinolaringologista (as otites que a atormentaram em miúda moldaram-lhe a especialidade), trabalha atualmente no IPO, mas antes correu vários países africanos em missão: Cabo Verde, Guiné-Bissau, Quénia, São Tomé e Príncipe, são alguns exemplos. Fala do pai como um contador de histórias da História. Vivem em Lisboa e falam-se várias vezes ao dia.

Francisco é o neto, que caminha para os três anos de idade. O nome tem no Papa Francisco a sua tentação. É uma personalidade inspiradora para Sara. Maior se pensarmos que esta Sara deixou de acreditar em Deus. O pai, agnóstico desde sempre, nunca lhe travou a fé. Era ele que a levava à missa. E até confessa que chegou a emocionar-se com o fervor da miúda. O resto foi a cabeça dela a pensar. E o que faz um pai quando o Benfica ganha por 5 a 2 ao Sporting e a filha, num pranto, pede para abandonarem o estádio? Sai e consola a garota, engolindo o gozo da vitória sobre o rival. Garante que nunca a tentou convencer a mudar de clube. Com o neto, a conversa talvez seja outra. Há uma visita ao museu das águias, já apalavrada "para o miúdo ver o que é ser campeão".

A política é outro caso. Sara inscreveu-se no Bloco de Esquerda com 20 anos. Ainda é militante, mas não sabe por quanto tempo. O pai, socialista desde sempre, insiste na palavra " respeito" e anuncia uma Associação Cívica, que se prepara para formar, depois das eleições legislativas. E Sara, mostra-se empenhada e entusiasmada com o corpo do projeto que Vítor Ramalho já anda a burilar. "O país precisa de desígnios nacionais", afirma ele sem pestanejar. Promete gente de partidos e gente de fora, independente. Promete teimosia e determinação. As duas características que Sara reconhece ter herdado do pai. Depois de outubro veremos o que nos trazem pai e filha. E talvez o possamos ouvir a ele, Vítor Ramalho, repetir a pergunta que tantas vezes faz, " Então, como é que vê isto?".

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