Uma questão de ADN

Podem ser irmãos, avós e netos, pais e filhos, companheiros, marido e mulher... São pessoas da mesma família que se juntam para uma conversa em que se fala de tudo. São percursos de vida e testemunhos que atravessam diferentes gerações. O que os une para lá do apelido, o que os separa para lá da diferença de idades.
Quarta-feira, depois das 13h00. Repete ao domingo, após as 14h00. Com Teresa Dias Mendes

A beleza de representar. Isabel Abreu e Maria Abreu em Uma Questão de ADN

Sete da tarde, após um dia de ensaios e prestes a embarcar para França, onde até ao final do mês de Outubro, Isabel Abreu veste a pele da mãe Catarina, na peça Catarina e a Beleza de Matar Fascistas. Actriz e mãe, é pois o lugar de fala a que se entrega hoje "num momento raro", como faz questão de dizer, ao lado da filha, Maria Abreu. Podemos vê-las por estes dias no escuro do cinema, em Restos do Vento, filme de Tiago Guedes. E escutar aqui o sopro das suas vozes cúmplices, agitando memórias e a brisa do perfume de uma cameleira branca.

Comecemos pelas camélias brancas, cujo cheiro invade o estúdio ao ouvirmos Isabel Abreu: "Costumo dizer que tenho uma Maria grande e uma Maria pequena. A Maria deu à minha mãe as primeiras flores que eu recebi quando nasci e ainda hoje estou sempre a tentar ter a cameleira branca no meu jardim." O colo da Maria grande, a mulher que acompanhou a infância da actriz, enquanto os pais médicos davam apoio à periferia, desbravando caminho no Alentejo para a criação dos centros de saúde, aconchega o tom da conversa, com a Maria pequena sentada ao lado da mãe.

Maria Abreu também viveu a infância em Arronches quando os pais decidiram deixar Lisboa e voltar para a terra donde Isabel saiu, já apaixonada pela arte de representar. Maria também teve a sua Maria, que se chama Fátima, e a avó, Maria Isabel, "a mulher gigante" que amparou as ausências da actriz: "A minha mãe costuma dizer que eu a criticava muito quando era pequena por ela estar a trabalhar, mas ao menos ela estava em Portugal e eu vou para o estrangeiro."

A viagem começa ali, com o cheiro da terra, e as portas da vila abertas para o mundo. Isabel e Maria dão os primeiros passos em Arronches.

Isabel Abreu, 44 anos, a quem alguns aconselharam desistir do sonho, no primeiro ano do Conservatório, é hoje uma das actrizes mais respeitadas da sua geração. "Realmente, eu tenho tido cúmplices artísticos, que me levam a sítios desconhecidos e eu salto e atiro-me sem pensar."

Maria Abreu, 17 anos, não hesita em dizer que esse é também o maior sonho. "Eu gosto muito de tudo, já pensei em ir para a NASA, já pensei em medicina veterinária ou neurocirurgia, ser inspectora forense, mas a profissão que está comigo desde que me lembro é actriz. É um dos meus maiores sonhos, é o que sinto mesmo amor para fazer."

Maria Abreu já pisou os palcos no Teatro Nacional Dona Maria II, foi protagonista na versão para cinema de Tristeza e Alegria na vida duma Girafa, e surge agora em Restos do Vento, dois filmes realizados por Tiago Guedes (seu pai).

Que a Maria "seja feliz no caminho que escolha", é o desejo de Isabel Abreu, que pelo sim pelo não vai acenando com outras profissões "porque o mundo não é só aquilo que está dentro da nossa casa". Mas a Maria pequena "está crescida", e ficamos a saber que uma das grandes lições do teatro de Isabel Abreu tem a voz de Maria Abreu.

Uma Questão de ADN, com Teresa Dias Mendes e sonoplastia de João Félix Pereira

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