Uma questão de ADN

Podem ser irmãos, avós e netos, pais e filhos, companheiros, marido e mulher... São pessoas da mesma família que se juntam para uma conversa em que se fala de tudo. São percursos de vida e testemunhos que atravessam diferentes gerações. O que os une para lá do apelido, o que os separa para lá da diferença de idades.
Quinta-feira, depois das 19h00. Repete à sexta-feira, à 01h00 e domingo depois das 14h00. Com Teresa Dias Mendes

"A liberdade de ter tempo para patinar no azul"

Catarina Marques da Silva e Luís Gouveia Monteiro - um ar de graça, uma questão de ADN.

São mãe e filho, e estão sempre prontos para "puxar o travão de mão" e sair da auto-estrada, por um atalho de vida.

A médica galerista é a "saltarica" da família. Porquê? "Porque tem este lado adolescente, maravilhoso, em que eu gosto de me rever", responde Luís Gouveia Monteiro. A mãe não hesita em afirmar que "o Luís está sempre a surpreendê-la", e ele devolve, "diz a médica que se tornou galerista".

Aprender é um verbo que conjugam no passado, no presente, e para sempre.

Há um ano, Catarina Marques da Silva fundou a galeria Cisterna, o nome óbvio para um espaço que já foi um reservatório de água, encostado à muralha fernandina da cidade de Lisboa, no coração do Chiado.

No próximo sábado, a galeria celebra o primeiro aniversário com uma nova exposição. As obras da dupla de artistas Manuela Pimentel e JAS (João Alexandrino) vão instalar-se nas salas da galeria, sob o lema da Inquietação. O nome escolhido surge da inspiração de José Mário Branco, falecido em Novembro de 2019, e da combinação do trabalho de um casal que partilha o mesmo atelier e que acredita "que há sempre qualquer coisa que está para acontecer...."

Na vida de Catarina Marques da Silva tudo foi acontecendo. Formou-se em Medicina, em Coimbra, especializou-se em Lisboa, teve 2 filhos. Mais tarde, por circunstâncias familiares, partiu para Buenos Aires, na Argentina, e depois para Curitiba e São Paulo, no Brasil.

A burocracia das equivalências para exercer medicina puseram a bata de lado mas alerta para o mundo em volta. Fez cursos de conservação e restauro, teve aulas de tango e a saudade da adrenalina do banco de urgência e do trabalho em equipa foi sendo ocupada por novos ofícios.

A medicina e a arte estão ligadas à vida. Saber ouvir os doentes é como saber pousar o olhar. A sensibilidade aguça o gosto e o bom gosto.

Catarina voltou para Portugal há dois anos. A galeria está aberta e a medicina pode já não ter de esperar muito mais. "As coisas que uma pessoa descobre na rádio", exclama o filho apanhado de surpresa.

Uma Questão de ADN, um programa de Teresa Dias Mendes, com sonorização de Miguel Silva , passa esta quinta-feira, depois das 19h00. Repete à 01h00 da madrugada e domingo, a seguir às 14h00.

A autora não escreve segundo a grafia alterada pelo Acordo Ortográfico de 1990.

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