Uma questão de ADN

Podem ser irmãos, avós e netos, pais e filhos, companheiros, marido e mulher... São pessoas da mesma família que se juntam para uma conversa em que se fala de tudo. São percursos de vida e testemunhos que atravessam diferentes gerações. O que os une para lá do apelido, o que os separa para lá da diferença de idades.
Quarta-feira, depois das 13h00. Repete ao domingo, após as 14h00. Com Teresa Dias Mendes

"Blimundando" com Violante e Ana Saramago

Mãe e filha, voam numa passarola de sonhos. Violante, a partir do Funchal, na ilha da Madeira, e Ana em Lisboa. Não tardam as celebrações do Centenário de José Saramago, uma nova etapa da viagem com o Nobel, que é, para esta nossa história, o pai e o avô. São as pequenas memórias delas e o caminho que ainda há de vir. "Havia uma aldeia ... e um menino...".

A história, é sabido, começa na aldeia da Azinhaga do Ribatejo, onde nasce José Saramago. É lá que Ana Saramago Matos, a neta mais velha orienta o núcleo da Fundação do Nobel. Ali, se vai plantar a oliveira 99, a um ano de ser plantada a centésima, batizada de Josefa, como sugere Violante "se todos estiverem de acordo".

O projeto "Cem oliveiras para Saramago" nasce de uma ideia lançada por Danilo Matos, contam as duas, o engenheiro que é marido de Violante e pai de Ana. "Se todos estiverem de acordo" será ele a plantar Josefa a 16 de novembro de 2022, na avenida principal da Azinhaga.

16 de novembro de 2021, é o primeiro dia do início das celebrações do Centenário, e tudo começa na leitura do conto " A Maior Flor do Mundo". Escolas do ensino básico de Portugal e de Espanha juntam as vozes de meninos e de meninas num coro que faz crescer todas as flores do mundo.

Violante, é nome de flor, " é um nome que eu gosto muito e acho que não podia ter outro. Não acredito muito que tenha começado aí a história da maior flor do mundo, mas seria muito gostoso que direta ou indiretamente eu pudesse associar o meu nome à infância dele". Para Ana Matos, a mãe Violante, se fosse uma flor, seria um cravo " com a minha mãe, desde muito cedo, eu respirei o que é lutar pela liberdade ".

Entre os 15 e os 18 meses ela foi embalada pela mãe numa cela de Caxias. Deste episódio surgem desenhos com grades e o diálogo entre Violante e José Saramago. Visitando a filha na prisão, e recusando ela o pagamento da caução, o conselho foi sábio " então vais ter de arranjar forças, nem que seja no dedo grande do pé".

E neste lugar, entre o real e o sonho, vamos voando por entre memórias e o mundo, passado, presente e futuro

Violante Saramago é bióloga, mas também se expressa, como prefere dizer, nos livros e na pintura. Ana Matos, é engenheira informática , e dirige a galeria das Salgadeiras, no Bairro Alto e desde Outubro também o PIPA, Programa da Imagem e da Palavra da Azinhaga. Consta que também escreve bem.

Falaremos de tudo isto, e das raízes que lhes soltam o pensamento.

É a "blimundar", verbo inventado por Ana " ainda tenho o sonho de ter essa inserção no dicionário. Era um verbo que tornaria o mundo mais bonito", que mãe e filha se mostram aqui. Com palavras simples, como no conto.

E talvez José Saramago, escutando, pudesse dizer na sua ternura contida: "Não está mal, não está mal."

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