Uma questão de ADN

Podem ser irmãos, avós e netos, pais e filhos, companheiros, marido e mulher... São pessoas da mesma família que se juntam para uma conversa em que se fala de tudo. São percursos de vida e testemunhos que atravessam diferentes gerações. O que os une para lá do apelido, o que os separa para lá da diferença de idades.
Quarta-feira, depois das 13h00. Repete ao domingo, após as 14h00. Com Teresa Dias Mendes

Clara Capucho e Jorge Batista da Silva: "A paixão da voz"

Da medicina ao fado, Clara Capucho e Jorge Batista da Silva são os convidados do programa Uma Questão de ADN.

Chamam-lhe o anjo da guarda. E disso dá testemunho Jorge Batista da Silva, o fadista e tenor que aqui a acompanha. Não é música nem compositora, não toca viola ou guitarra, mas lá de cordas percebe Clara Capucho, a otorrinolaringologista que dedilha as cordas vocais como poucos, ao leme da Unidade de Voz do Hospital Egas Moniz, em Lisboa, há já 17 anos. Aos artistas e aos profissionais que usam a voz como instrumento de trabalho Clara Capucho costuma dizer que são "a sua família". E nesta relação "próxima e cúmplice" também há Uma Questão de ADN.

Solidária, amiga, "está sempre lá". Para Jorge Batista da Silva, Clara Capucho "é a verdadeira artista". A médica, natural de Reguengos de Monsaraz, cuja arte é saber cuidar e tratar da voz, confessa "a paixão" de há muitos anos por esta área: "Não tenho mais valor do que ninguém. Se calhar tive um bocadinho mais de coragem para seguir um caminho e para me dedicar a ele."

Um percurso que começa aos 13 anos, quando pediu ao médico de família para a deixar ficar por ali a ver "como era ser médico". Tudo começa com pó de luvas, num tempo em que ainda não eram descartáveis, e resmas de compressas para dobrar. A voz como área de especialização, não se revelou logo, nem mais tarde quando parte para Coimbra onde se forma em Medicina. Disso ela nos há-de dar conta ora mais a sério, "consideramos a voz falada e a voz cantada, é preciso ter conhecimentos", ora mais descontraída ao lembrar a passagem por um workshop com atores, atrizes e cantores que comentavam: "Ai, uma médica aqui. Só vem aqui para empatar."

Políticos, padres, vendedores ambulantes, e claro, artistas de palco que projetam a voz para o público, todos lhe passam pelas mãos. Dos mais aos menos conhecidos. Este ano, o rastreio foi particularmente importante por causa da barreira da máscara: "Os artistas estão a ser chamados ao palco, e não conseguem estar as mesmas duas horas a cantar. A máscara aciona músculos cervicais diferentes e provoca disfonias de tensão muscular."

O fumo e a bebida, cujos consumos aumentaram durante a pandemia, também não ajudaram e podem, alerta Clara Capucho, "provocar lesões mais graves, como o cancro".

Jorge Batista da Silva, formado em canto lírico, mas fadista de coração, não se ressentiu, confessando nas paredes do estúdio que cantou todos os dias em casa, durante o isolamento. Agora, já de volta às casa de fado, também revela truques simples: "Faço hummmm, como se mastigasse o som e brrrrrrrr com os lábios, uso o I como escala ascendente para aquecer a voz, e nunca começo as atuações com fados difíceis, porque a primeira canção ajuda a colocar a voz no sítio."

Íntimo é o seu último álbum e por ele passa também a conversa, onde o cantor nos surpreende a fazer piscinas com Montserrat Caballé.

A postura é fundamental, mas há muito mais para aprender e descobrir, ouvindo a voz de Clara Capucho. Médica, professora, investigadora e amiga, como nos canta o fadista.

OUÇA TODAS AS EMISSÕES DO PROGRAMA "UMA QUESTÃO DE ADN"

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