Uma questão de ADN

Podem ser irmãos, avós e netos, pais e filhos, companheiros, marido e mulher... São pessoas da mesma família que se juntam para uma conversa em que se fala de tudo. São percursos de vida e testemunhos que atravessam diferentes gerações. O que os une para lá do apelido, o que os separa para lá da diferença de idades.
Quinta-feira, depois das 19h00. Repete à sexta-feira, à 01h00 e domingo depois das 14h00. Com Teresa Dias Mendes

Dançar o fado, celebrar a poesia

José Fanha e João Fanha. Pai e filho. Uma Questão de ADN.

"Ando aí com uma história às costas", começa por dizer o Fanha pai. Depois de lhe falar da avó Bertha Emília, que escutava menino, " babado", a contar histórias. A avó Bertha, com th, como sublinha, conheceu Eça de Queiroz e Gustavo Eiffel. A avó que o ensinou a ler e a escrever, que lhe embalou as palavras, que lhe deu asas para a fantasia. Pois bem, a avó Bertha, descobriu ele há pouco tempo, tem o nome de um canhão da Primeira Guerra Mundial. "Os alemães acreditavam que podiam ganhar a guerra" , com o poder de fogo da Grande Bertha - nome adotado da empresa construtora - "perderam , e é bem feito para não usarem o nome da minha avó" .José Fanha, apresenta-se hoje como um contador de histórias. Formou-se em arquitetura, foi professor de Belas Artes, jornalista desportivo, publicitário, ator, autor. Foi o Fanha do bigode, que seduziu os portugueses no famoso concurso de 1977, A Visita da Cornélia. Sempre foi uma pessoa de palco. Celebra por estes dias, 50 anos a dizer poesia.

"Cresci com os ecos das histórias dos pintores que o meu pai me contava, sobre os mais velhos que viviam em excesso", e assim se desenhou para João Fanha, a entrada em Belas Artes. Cresceu a ouvir os Beatles e o Chico Buarque e o Zeca, cresceu a ver o pai, lá em cima do palco. E brinca com a memória distorcida das pessoas , que ainda hoje, lhe dizem: " o seu pai canta muito bem", e ele" o meu pai não canta", " canta sim, que eu bem me lembro", " não canta, não", insiste, " ah, o menino não tem idade para se lembrar".

João Fanha é hoje bailarino, é na dança que se realiza, " é uma expressão artística que sendo efémera, surge todos os dias, é mais democrática". Tocar e tocarmo-nos, eis o ritmo que o inspira. Mexer o corpo só com a palavra, mexer o corpo com a dança que está na nossa cabeça. Ele vai explicar-nos o que são danças sociais, essa forma improvisada de nos comunicarmos.

Ele prepara-se, por estes dias, para dançar o fado.

A conversa entre pai e filho tem muitas outras histórias para nos contar.

Saltamos os muros do colégio militar onde o pai estudou, sentimos o cheiro a tabaco no escritório, o cheiro que o filho adorava ( e hoje detesta), espreitamos a Maçonaria e a bagageira de um carro, e vamos dançando com as palavras ,e com as lembranças, e com o tempo.

Um Questão de ADN, um programa de Teresa Dias Mendes, com sonorização de Margarida Adão, passa hoje, depois das 15h, repete domingo, a seguir às 14h.

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