Uma questão de ADN

Podem ser irmãos, avós e netos, pais e filhos, companheiros, marido e mulher... São pessoas da mesma família que se juntam para uma conversa em que se fala de tudo. São percursos de vida e testemunhos que atravessam diferentes gerações. O que os une para lá do apelido, o que os separa para lá da diferença de idades.
Quinta-feira, depois das 19h00. Repete à sexta-feira, à 01h00 e domingo depois das 14h00. Com Teresa Dias Mendes

O vinho faz-se de pessoas. Estranha-se, entranha-se, saboreia-se...

António Maria Soares Franco e Francisco Soares Franco são a sétima geração da casa José Maria da Fonseca.

O vinho está na história da família há quase 200 anos. António guarda memórias doces, como o sabor do moscatel no fundo do copo, onde molhava o dedo. Os jantares em casa do avô Fernando, eram um momento solene para os miúdos da sétima geração. Só eles e os avós. Sem lugar à mesa para outros graúdos. Francisco confessa que só mais tarde se deixou levar, mas foi também pelo moscatel que começou. Filho do enólogo Domingos Soares Franco, segue hoje o negócio da família, na Quinta de Camarate, em Azeitão, ao lado de António, vice-presidente da empresa, e filho do presidente, António Soares Franco.
Dois primos, duas castas, colheitas diferentes. A mesma dedicação.

António e Francisco lembram que não são enólogos. Comportam-se nas provas, como os mortais consumidores. E afirmam, sem hesitações, que há vinhos de enólogo e vinhos para todos. Mais caros, os primeiros, menos exigentes, os segundos. "O consumidor pede um vinho macio na boca", explicam, enquanto os enólogos " procuram sabores mais duros, mais fechados, desmontam o vinho na boca". O negócio faz-se com todos e para todos. Mais de 30 marcas, 10 milhões de garrafas por ano.

A antiga casa dos frascos, é hoje um lugar mais reservado. Nem eles entram como querem na Frasqueira. É uma sala, ao fundo da adega, onde repousam moscatéis em casco, alguns ainda do século IX, ou os Torna-Viagem, assim chamados, por não serem vendidos e regressarem a casa ainda melhores do que na partida. Está agora, em construção, um novo cofre-forte, para albergar, as garrafas da casa. Exemplares catalogados e colocados em depósitos de cimento, com paredes de um metro de largo. Ainda não foi baptizado, mas vai ter porta blindada.

A conversa não se poderia servir, sem falamos do vinho fundador, o conhecido Periquita. Foi em 1850, que ele chegou à mesa dos portugueses engarrafado. O primeiro vinho engarrafado em Portugal. Um vinho para fazer companhia, como quis e fez, o sr. José Maria da Fonseca. E o que terão bebido os dois primos, enquanto cresciam na quinta, entre família e com amigos? Muito Periquita, pois claro. Mais copo, menos copo, o vinho fazia-lhes companhia.

Algumas vezes, "Pêuriiquita" ou " Piriquitão", se já ficassem com um grãozinho na asa.

Uma Questão de ADN é um programa de Teresa Dias Mendes, com sonoplastia de Margarida Adão. Passa esta quinta-feira, depois das 15h, repete à 01h e no Domingo, a seguir às 14h.

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