Uma questão de ADN

Podem ser irmãos, avós e netos, pais e filhos, companheiros, marido e mulher... São pessoas da mesma família que se juntam para uma conversa em que se fala de tudo. São percursos de vida e testemunhos que atravessam diferentes gerações. O que os une para lá do apelido, o que os separa para lá da diferença de idades. Com Teresa Dias Mendes.

Os diários da Teggy

A irmã nem se lembra que ela se chama Teresa, de tanto lhe chamarem Teggy. A ainda deputada do CDS Teresa Caeiro confessa que Rita, a irmã mais nova, é como se fosse a mais velha, "e a melhor amiga que se pode ter". Separadas por sete anos, Teresa e Rita são o rosto e o verso da folha.

Uma segue a intuição. É a Teresa. Com as pessoas, com a vida e com os erros. Arrepende-se "sobretudo daquilo que não fez". A outra é matemática, quase científica. É a Rita, e não se arrepende de nada. "Somos o oposto".

Rita Caeiro, gestora, e Teresa Caeiro, jurista. Duas raparigas de direita, com avessos que podem dar nas vistas. Rita recorda a infância e as recomendações dos pais para ser ela a tomar conta da irmã. "Não me lembro nada disso", afiança Teresa, entre gargalhadas. Rita vai desfiando outros episódios: "Quando eu nasci, ela dizia que eu era adotada." "Encontrada", corrige Teggy, "eu dizia que tinhas sido encontrada..." - e é entre risos e exclamações, que as duas irmãs se encontram. Nas diferenças que as unem, mesmo se parecem talhadas para as separar.

O pai é oficial da Marinha, a mãe é bióloga de formação, sem nunca ter exercido. Foi a mãe quem as ensinou a sonhar e a acreditar num mundo em que o céu é o limite. Que ainda hoje lhes manda frases recortadas de jornais e revistas, que seguem num saco de plástico, entre uma cenoura biológica e outro bem saudável. O saco é entregue por mão própria, lá vai o pai, o militar que formatou horários, disciplina, um certo rigor. Uma levou mais a sério, é do feitio; a outra divagou, e é do feitio também.

Rita Caeiro nunca teve dúvidas, o curso de Gestão foi óbvio. Teresa Caeiro seguiu Direito, mas a paixão era a Arquitetura. Até hoje. Sobra a memória da menina que desenhava vulcões, na ilha de S. Vicente, em Cabo Verde. "Eu adorava desenhar." Mas, se não fosse o Direito, talvez a política não se tivesse atravessado no caminho dela. Até hoje. 25 anos. Deputada e dirigente do CDS, secretária de Estado, governadora civil, vice-presidente da Assembleia da República. Muita responsabilidade. E agora, quer o tempo dela, algum tempo para ela. Para um simples poema, como o poema do tio Mário Cesariny: "Em todas as ruas te encontro, em todas as ruas te perco."

Já depois de gravarmos, de o programa estar editado, na manhã em que passaria na rádio, recebo uma mensagem da Teggy: "Bom dia, Teresinha, é urgente, liga-me assim que puderes". E então, o que era? Era para acrescentar uma frase ou duas. Duas ou três coisas que tinha pensado dizer sobre a irmã, à irmã. A conversa levou outros caminhos e os nervos deixaram passar o que estava escrito na cabeça dela. E agora, a Teggy queria saber se podia voltar ao estúdio para acrescentar uma frase. Respondi-lhe que não, que a atmosfera do estúdio, onde estivemos as três sentadas, não seria resgatada e como tal, não seria a mesma coisa. Mesmo que o pudéssemos assumir sem qualquer problema. Mas o programa estava editado, os estúdios ocupados, e eu tinha já outras coisas para fazer. Um breve silêncio do lado de lá, uma titubeante insistência: "Mas eu queria tanto dizer isto à minha irmã..." E aqui vai, por escrito, como lhe prometi.

"A Rita é a melhor amiga que uma pessoa pode ter, um exemplo de lealdade, e nunca lhe vou poder agradecer suficientemente as noites passadas com o meu filho quando nasceu, e não parava de chorar. Isso e outros momentos importantes da minha vida."

"Uma Questão de ADN", para ouvir esta quinta-feira depois das 19h00, repete de madrugada a seguir à 1h00, e no domingo, depois das 14h00.

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