Uma questão de ADN

Podem ser irmãos, avós e netos, pais e filhos, companheiros, marido e mulher... São pessoas da mesma família que se juntam para uma conversa em que se fala de tudo. São percursos de vida e testemunhos que atravessam diferentes gerações. O que os une para lá do apelido, o que os separa para lá da diferença de idades.
Quarta-feira, depois das 13h00. Repete ao domingo, após as 14h00. Com Teresa Dias Mendes

João Botelho e António Pinhão Botelho: a liberdade de "filmar como quem escreve um romance"

"Um filme em Forma de Assim", a mais recente longa-metragem de João Botelho, a partir de Alexandre O`Neil chega aos cinemas a 12 de Maio. Há planos do filme na conversa entre pai e filho, mas há mais e novos planos. Um western na Patagónia, a vingança sobre Salazar e a teimosia de querer emocionar os espectadores. É essa a verdade, para João Botelho e António Pinhão Botelho, no cinema e na vida, "fazer o melhor que se sabe".

Não é a primeira vez que trabalham juntos, mas de cada vez "é um divertimento e uma aprendizagem". Se o pai diz, o filho confirma: "Eu no set tenho esta coisa, quero agradar muito às pessoas, isso vem dele, e muito por culpa deste senhor cresci a ver filmes do Kapra onde a bondade ganha sempre."

Aqui João Botelho discorda. "Os filmes devem inquietar as pessoas", mas reforça o papel de António como primeiro assistente de realização "ele trata muito bem as pessoas, do técnico ao ator mais sofisticado, é muito bom nisso. Eu às vezes distraio-me".

Liberdade é a palavra mestra desta relação "sempre lhes dei liberdade para verem o que quisessem, mas dava-lhes outra coisa ao lado, olha há isto também, o fundamental é a educação e a aprendizagem". O vício do cinema passou: "O António ainda de colo entrou no meu terceiro filme, o mais velho fazia o genérico e a Joana, a mais nova entrou agora neste último, é uma das personagens e está muito bem. Não sei se é ADN mas é fruto de uma boa relação com os filhos."

Sem pudores na expressão do amor pelos 3 filhos, o realizador assume as preocupações que o assaltam quanto ao futuro deles e das novas gerações. "Gosto muito deles, são maravilhosos, mas eles sabem que o dia mais importante da minha vida foi o 25 de Abril, e o mundo está assustador outra vez. O 25 de Abril foi uma catástrofe boa, a queda do muro de Berlim foi outra catástrofe boa, esta guerra não é. Eu pude abrir os braços, eles têem de fechar os punhos daqui a uns tempos."

As incertezas não abrandam o ritmo dos projectos, que vão de Salazar a Billy the Kid.

O segundo nasce no estúdio da rádio e será filmado na Patagónia pelos dois, se o entusiasmo sobreviver. O primeiro espera pelo veredicto do ICA, e está pensado para os 50 anos do 25 de Abril "vou vingar-me dele", assegura o cineasta referindo-se aos dois últimos anos da vida de Salazar. Será "a governanta, o calista e o enfermeiro".

E agora é ouvi-los sobre o que aí vem e o cinema que se faz. São pontos de vista onde a única verdade continuam ser os espectadores.

O homem que aprendeu a dançar para entrar no Clube de Lamego aos 10 anos, está na pista com dois novos filmes , a longa-metragem a partir do universo literário de Alexandre O`Neil e o documentário "O Jovem Cunhal" , que vai estrear na Festa do Avante. Citando as palavras de João Botelho: "Faz-se o melhor que se sabe e depois quer-se mostrar a toda a gente."

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG

Patrocinado

Apoio de