Uma questão de ADN

Podem ser irmãos, avós e netos, pais e filhos, companheiros, marido e mulher... São pessoas da mesma família que se juntam para uma conversa em que se fala de tudo. São percursos de vida e testemunhos que atravessam diferentes gerações. O que os une para lá do apelido, o que os separa para lá da diferença de idades.
Quarta-feira, depois das 13h00. Repete ao domingo, após as 14h00. Com Teresa Dias Mendes

João e Joana Tordo. "Quando se cresce com um irmão gémeo, nunca se cresce sozinho"

Talento, necessidade ou " fardo". A páginas tantas do crescimento, a escrita pode até ser um fardo. Um escritor ", reflete João Tordo, "é uma criatura que sofre de um autismo qualquer que é difícil de categorizar, e um bocadinho inexplicável."

João Tordo acaba de vencer o prémio literário Fernando Namora com o romance "Felicidade". Joana Tordo, a irmã gémea, lembra a vocação muito vincada "conheço poucas crianças com essa habilidade, ele escreve desde muito, muito pequeno ".

João e Joana, cravo e rosa, como na letra de Ary dos Santos, que o pai, o músico e compositor Fernando Tordo interpreta, dedicando aos filhos gémeos o perfume das flores de Abril.

Os dois fazem o caminho juntos desde então " A Joana ia mais para fora de si, as pessoas que se isolam e que inventam mundos, como eu, que o fazia com 6 anos, é uma pessoa que tem muito medo da responsabilidade, que é viver. E eu gostava muito de ter também esse lado de conseguir abarcar a vida na sua totalidade, e não consigo. E não tenho orgulho nenhum nisso. Embora, também sejam as coisas que depois conduzem ao lugar da escrita. As coisas não vêem sem preço ".

Para Joana Tordo, designer gráfica, o irmão tem na caneta e no papel uma bússola " eu acho que o João já nasceu com uma caneta na mão, é como se fosse uma coisa que ele tivesse de fazer" . Foi-se mitigando com os anos, acrescenta João Tordo, mas " também vem de um sítio de dificuldade com o mundo exterior".

"Felicidade" é o romance que acaba de vencer o prémio literário Fernando Namora. Em 2009, com " As Três Vidas" João Tordo já tinha sido distinguido com o Prémio José Saramago. Tudo muda na vida do escritor, que a partir de então vê a sua obra a disparar nas vendas e o seu nome a ser solicitado, como não tinha acontecido até então.

Com dois novos livros a caminho, um policial que há-de ser publicado na próxima Primavera, e um romance ainda sem data, e em processo de reescrita, o escritor saúda " a nova amplitude para escritores mais novos, que podem arriscar em géneros, que antes não eram considerados". Podemos cruzar-nos com ele, num qualquer café " vou variando", onde aprendeu a construír os mundos habitados pelas suas personagens de papel. Joana, que já deu vida a uma destas personagens, pode até regressar ao universo da escrita, mas na vida real, está sempre presente:

"Quando se cresce com um irmão gémeo, nunca se cresce sozinho, e isso é muito especial na vida de uma criança. Basta termos a mesma idade, que o primeiro dia de aulas é para os dois, o primeiro dia de férias é para os dois, termos a maioridade juntos...as etapas são a par, a sensação é a de estarmos permanentemente acompanhados. A vida aproxima-nos sempre um do outro. Não há muito espaço para haver ruturas, porque há muitas coisas maiores do que isso, que fazem parte do nosso crescimento".

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG

Patrocinado

Apoio de