Uma questão de ADN

Podem ser irmãos, avós e netos, pais e filhos, companheiros, marido e mulher... São pessoas da mesma família que se juntam para uma conversa em que se fala de tudo. São percursos de vida e testemunhos que atravessam diferentes gerações. O que os une para lá do apelido, o que os separa para lá da diferença de idades.
Quinta-feira, depois das 19h00. Repete à sexta-feira, à 01h00 e domingo depois das 14h00. Com Teresa Dias Mendes

"Lavem as mãos. Fiquem em casa"

Os dois filhos rapazes ainda não tinham entrado em quarentena. Lavaram as mãos, mas ainda vieram à rádio. Ricardo Dias Felner e Pedro Felner. Dos sabores da infância, ao paladar da idade adulta.

A comida, a boa comida, persiste sempre, escreve Ricardo Dias Felner, na nota final, do livro "O Homem Que Comia Tudo".

A boa escrita também. O irmão conta que "sempre teve jeito" e que sempre soube o ofício a que queria dedicar o talento.

Jornalista há 22 anos, ele passou pelo jornal Público, pela revista Sábado, foi director da Time Out e, há 4 anos, entregou-se aos tachos e à escrita gastronómica que conjuga com a crítica a restaurantes. Está como peixe na água, ou no prato, ou no tacho. Comida de tacho é, aliás, a que mais gosta de fazer. E de comer? "Comer é comer", saliva ele com o mesmo gosto com que escreve. Ele come tudo. Do bitoque às larvas, marcha um frango assado, uma tarântula, "tudo o que mexe é para se comer". E quem lhe tira um bacalhau cozido com grão, tira-lhe o prato preferido.

Ouça AQUI o programa Uma Questão de ADN: Ricardo e Pedro Felner - Do sabor da infância ao paladar da idade adulta

Já o estômago do irmão, é de outra sensibilidade. Pedro Felner, um ano e meio mais velho, bom garfo é, mas confessa que não tem o espírito aventureiro do irmão mais novo. Um bom prato de cozinha tradicional portuguesa, isso sim. Mas não disfarça o prazer de estar à mesa em casa de Ricardo, e de vê-lo a cozinhar. É um banquete para os sentidos, " a parte do comer tem dias".

Diretor geral da Felner Tennis Academy, nas Caldas da Rainha, Pedro atinou com os courts, depois de alguns anos sem saber por onde ir. Os dois praticaram muito desporto desde miúdos, o ténis tirava-os de casa às 7h30 da manhã, voltavam para almoçar a correr, e regressavam para os campos durante a tarde.

Uma infância cheia de rua, de jogo, e de alguma pancadaria. Já não jogam juntos há muito tempo, mas continuam a bater bolas. Do princípio ao fim da conversa.

Os manos Felner não levaram à letra os avisos da mãe, a médica Ana Felner, que desaconselhou saídas de casa. Ainda não estávamos em estado de emergência, mas já começavam a faltar os rolos de papel higiénico no supermercado.

Quanto ao livro, é certamente uma boa companhia para dias de recolhimento obrigatório. Para todos os dias.

Editado pela Quetzal, "O Homem Que Comia Tudo" foi só um dos pratos degustado na conversa.

Não é de mais repetir os conselhos da médica e mãe Ana Felner: "lavem as mãos", "fiquem em casa", mas não é demais citar o filho, "não tenham medo de se fazer ao caminho para comer." Experimentem a cozinha.

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