Uma questão de ADN

Podem ser irmãos, avós e netos, pais e filhos, companheiros, marido e mulher... São pessoas da mesma família que se juntam para uma conversa em que se fala de tudo. São percursos de vida e testemunhos que atravessam diferentes gerações. O que os une para lá do apelido, o que os separa para lá da diferença de idades.
Quarta-feira, depois das 13h00. Repete ao domingo, após as 14h00. Com Teresa Dias Mendes

"Não volto aos livros que escrevi"

Acaba de lançar o segundo romance, Palavra do Senhor, editado pela Bertrand, mas vai confessando que há um terceiro já pronto na gaveta, ou logo se vê. Ana Bárbara Pedrosa, não espera pelo dia seguinte.

Ela está no meio de nós, para contar a sua versão da Bíblia. No livro, Deus é o narrador, na rádio, Pedro é o primo Pedro, com quem se atirava de cabeça.

" Olha, e se eu fizesse uma coisa destas", em 9 meses, Ana Bárbara Pedrosa atirou-se à escrita. E o novo romance está nas livrarias. A jovem escritora de Vizela, atreveu-se a ensaiar uma nova versão da Bíblia, usando a voz de Deus. "Mais tarde ou mais cedo, eu teria de repor a verdade, contar à gente de onde vem, para onde vai, quem é. Pode julgar-se que vem tarde a narrativa fundadora que corrige as anteriores, mas veio na hora certa, porque foi a hora que eu escolhi", escreve nas primeiras páginas do segundo romance.

Ana Bárbara Pedrosa acredita que o livro vai surpreender, é o que espera: "Para quem ache que o primeiro é um estilo que me marca, este vai ser uma guinada radical." A escritora não o voltará a ler, isso é tão certo como chamar-se Ana Bárbara (nem só Ana, nem só Bárbara), "apetece-me o debate com o leitor, mas não volto aos livros que escrevi. Coisas que já não posso mudar, não volto a elas".

Lisboa, Chão Sagrado, o primeiro romance com a chancela da Bertrand, de 2019, foi escrito em 2 meses "é sempre assim", explica Pedro Pedrosa, para registar o ritmo acelerado, às vezes obsessivo da prima, 3 anos mais nova.

Na escrita e no activismo político, recordando a entrada de Ana Bárbara para o Bloco de Esquerda, partido pelo qual foi candidata à câmara de Vizela, com 23 anos.

Agora aos 31, Ana Bárbara diz ter uma vida desinteressante, e admite "que pós dois confinamentos está até numa fase anti-social". É linguista num projecto da Google, vai ao ginásio, onde pratica artes marciais, janta, escreve e lê. É cronista, crítica literária, tradutora e revisora. O mundo gira com os livros e em viagens.

A infância em Vizela, a livraria da família, os jogos de futebol na rua, a cadela Rita que a acompanhava à escola, as guerras com o avô sobre o papel da mulher " ajudava a avó a lavar a loiça às escondidas" porque o Pedro não se chegava à frente e não queria dar parte de fraca.

Vizela é para os dois primos "a cidade mais bela". Esta semana Pedro Pedrosa vem a Lisboa para tirar a carta de barco. O activista, conta partir em novas missões de resgate no Mediterrâneo, onde os 2 primos já estiveram em 2016.

Por esta e por outras, pode ser que ainda vire personagem num próximo livro. Pedro até gostava, Ana Bárbara não lhe adivinha essa sorte.

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