Uma questão de ADN

Podem ser irmãos, avós e netos, pais e filhos, companheiros, marido e mulher... São pessoas da mesma família que se juntam para uma conversa em que se fala de tudo. São percursos de vida e testemunhos que atravessam diferentes gerações. O que os une para lá do apelido, o que os separa para lá da diferença de idades.
Quarta-feira, depois das 13h00. Repete ao domingo, após as 14h00. Com Teresa Dias Mendes

"O teatro é uma forma de estarmos juntos"

O teatro acontece-lhes. Rodrigo Francisco tinha 16 anos, quando a aventura começa, à boleia de uns dinheiros para ir de férias, Joaquina Francisco esperou pela reforma, e é na Universidade Sénior que descobre o fascínio. Mãe e filho percorrem o palco, construído na margem sul do Tejo, em Almada. Sucessor de Joaquim Benite na Companhia de Teatro que este ano comemora 50 anos, Rodrigo Francisco apresenta-nos Joaquina. A linguagem de cena é toda deles.

"A minha mãe aproximou-se do teatro, porque lhe apeteceu estar com outras pessoas, e resolveu experimentar esta coisa misteriosa que o filho fazia. Eu muito cedo percebi que não tinha a magia para ser ator, tal como o encenador Peter Stein contou há uns anos, no Festival - gostava muito de teatro mas não tinha talento nenhum para ser ator, e então foi escolher a única função no teatro para a qual não é preciso ter talento nenhum, que é ser encenador - trabalha-se com o talento dos outros."

Rodrigo Francisco tinha lá o seu mundo desde pequeno. Brincava na rua e lia muito: "uma das sensações mais fortes que guardo é de quando aprendi a ler", recorda o diretor da Companhia de Teatro de Almada, que entrou para a CTA, aos 16 anos, apenas a pensar em ganhar dinheiro para as férias.

Não foi nesse ano que conheceu Joaquim Benite, mas o caminho dos dois acabou por se cruzar e Joaquim Benite terá visto no rapaz, que lia a cada intervalo de cenas, o talento de um encenador em construção. Hoje é ele o diretor da casa fundada pelo mestre, que dizia que "o teatro é sobretudo literatura". E a linguagem do teatro terá sido iluminada, num tal "Cerco de Leninegrado", onde Rodrigo aprendeu que dois quilos de farinha podem ser um final mais ou menos perfeito. São muitas histórias e um mundo de aprendizagens, celebrando o teatro como a arte de receber e partilhar com o público.

Joaquina Francisco, doméstica uma vida inteira, cuidou da casa e dos filhos, e, chegada a idade maior, não se via "parada, ou nos cafés". "Não era para mim." Inscreveu-se na Universidade Sénior, e atreve-se a saciar a curiosidade de saber o que fazia o filho tantas horas no teatro.

Hoje já não se imagina sem "o gozo enorme" do palco, ainda que trace as devidas diferenças entre o seu teatro e o teatro do filho.

É atriz, mas é, sobretudo, uma mãe orgulhosa e babada.

E uma espetadora assídua do Festival de Teatro de Almada, que este ano volta a encher os palcos da cidade, com a 38.ª edição, entre 2 e 25 de julho.

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