Uma questão de ADN

Podem ser irmãos, avós e netos, pais e filhos, companheiros, marido e mulher... São pessoas da mesma família que se juntam para uma conversa em que se fala de tudo. São percursos de vida e testemunhos que atravessam diferentes gerações. O que os une para lá do apelido, o que os separa para lá da diferença de idades.
Quinta-feira, depois das 19h00. Repete à sexta-feira, à 01h00 e domingo depois das 14h00. Com Teresa Dias Mendes

O teorema da saudade

Podemos ler o mundo através da Matemática? "Podemos dizer o mundo, responde João Araújo. Do outro lado do mundo, o filho acaba de acordar para o primeiro Natal longe da família. A Matemática não ajuda a encurtar a distância ou a subtrair a saudade. A saudade é um ponto real no fio da conversa que liga o estúdio da rádio, em Lisboa, à residência de João Pedro Araújo, na Universidade de Stanford, na Califórnia.

João Pedro Araújo, o jovem que sempre quis ser inventor, percebeu que a matemática serve para tudo, a partir do 9.º ano. O pai, professor catedrático do departamento de Matemática da FCT da Universidade Nova de Lisboa e, desde setembro, Presidente da Sociedade Portuguesa de Matemática, encontrou a fórmula no 12.º ano. Para o pai e para o filho, os professores nesses dois anos escolares foram a chave da descoberta.

O pai desistiu de ser veterinário, o filho formou-se em engenharia mecânica e faz agora doutoramento na seletiva e prestigiada Universidade de Stanford. É um aluno Fullbright, uma mente brilhante, que enche o pai de orgulho." Se eu consigo, todos podem conseguir", assegura o jovem que aos 12 anos, pedia ao pai para lhe ensinar computação, e aos 16 já dava cartas, como o primeiro português a vencer o concurso para jovens cientistas da Europa.

Os dois hão de teorizar sobre a beleza da Arte da Matemática, ou sobre a "inutilidade" da dita, numa troca de palavras sobre números e casas decimais, que nos há de levar a falar sobre as diferenças entre educação útil ou inútil ," a educação deve ser inútil, porque não devia ser útil para definir uma competência", é a convicção profunda do professor João Araújo, que chega a definir o ofício assim "de certa forma um matemático é um geógrafo que está a fazer um mapa dum planeta que nós não conseguimos ver com os olhos, só com a imaginação" .

Da beleza dos teoremas, à elegância das provas, falam da sensação indescritível que é a descoberta da coisa. Como quem consegue o impossível. Como se agora se pudessem voltar a juntar, nem que fosse apenas para a ceia de Natal. João Pedro Araújo, é o mais velho de 6 irmãos. O lugar vazio na mesa das refeições, é do tamanho duma " casa vazia", desabafa o pai, apesar dos restantes 7. Para encolher as saudades e a distância à hora do jantar, o tablet está sentado à mesa. A família janta e João almoça do outro lado do mundo, " eles vivem no futuro e eu estou 8 horas no passado". Espera que este seja o único Natal que não passa com a família " perdi a comida do meu pais, perdi os beijinhos da minha mãe, os sorrisos da minha mãe, tenho imensas saudades, e dos meus amigos de Portugal também".

Por causa da Covid-19, João Pedro não pôde vir a casa nesta quadra. Vale o WhatsApp, faltam os abraços.

E depois, falamos também dum certo bolo de chocolate e duns cogumelos recheados que valeram a João Araújo, o primeiro prémio num concurso de culinária, em Sete Rios, na cidade de Lisboa. Sempre ao som da música dos números.

Uma Questão de ADN, um programa de Teresa Dias Mendes, com cuidado técnico de Pedro Simões Ribeiro, passa esta quinta-feira depois das 19h00, repete domingo depois das 14h00.

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