Uma questão de ADN

Podem ser irmãos, avós e netos, pais e filhos, companheiros, marido e mulher... São pessoas da mesma família que se juntam para uma conversa em que se fala de tudo. São percursos de vida e testemunhos que atravessam diferentes gerações. O que os une para lá do apelido, o que os separa para lá da diferença de idades.
Quinta-feira, depois das 19h00. Repete à sexta-feira, à 01h00 e domingo depois das 14h00. Com Teresa Dias Mendes

Quem se mete com a Ana, leva

Ana Catarina Mendes, Pedro Mendes e António Mendonça Mendes são os convidados desta semana de Uma Questão de ADN.

"Eu dou caneladas", remata Ana Catarina Mendes, apanhando a bola da conversa a saltitar por entre as brincadeiras de miúda, com os três irmãos.

João, o mais velho, não foi convocado para o jogo da rádio, mas sobem a campo o chef Pedro Mendes e António Mendonça Mendes, o mais novo, atual secretário de Estado Adjunto e dos Assuntos Fiscais.

Entre o drible da política e a arte da cozinha, os irmãos vão apurando sabores e a doce memória da infância e da juventude.

Sempre à esquerda, sempre os "Cinco", nome do grupo que partilham no WhatsApp, com a mãe.

Não houve folhas de Excel, nem negociações na mesa do estúdio. A conversa foi gravada à hora do almoço da passada segunda-feira, numa semana que se sabia tensa e talvez decisiva para o desfecho do Orçamento Geral do Estado. Nessa noite, António Costa daria uma entrevista à TVI, onde anunciou que retirava a proposta de lei relativa à obrigatoriedade da aplicação StayAway Covid.

Mesmo sem esse dado, abordou-se a polémica, com Ana Catarina Mendes a insistir na necessidade de ouvir os especialistas no Parlamento, e a reconhecer o excesso da obrigatoriedade: "Sinceramente, acho um excesso. Parece-me desproporcional e abusivo que um qualquer polícia me peça para aceder ao meu telemóvel".

Os três irmãos descarregaram a aplicação e garantem não ter tido, até agora, qualquer alerta de contacto com uma pessoa infectada. E não se fez tarde para descontaminar a conversa da actualidade mais próxima, ainda que o Orçamento Geral do Estado tenha servido de pretexto para recordarmos a história da maior omeleta do mundo. É um recorde do Guinness, conquistado em 2012, pelo chef Pedro Mendes, coordenador da equipa que, em Ferreira do Zêzere, lhe lançou o desafio. Ainda se chegou a duvidar do sucesso da empreitada " eu fui um deles", confessa António Mendonça Mendes, mas a omeleta ganhou forma, e o secretário de Estado Adjunto e dos Assuntos Fiscais acredita ter sido uma tarefa bem mais difícil do que fazer um Orçamento. Não se fazem omeletas sem ovos.

Ana Catarina Mendes, é a única rapariga de quatro irmãos, todos da geração de 70, ali entre o antes, o durante, e o pós 25 de Abril.

São filhos de um casal que, à época, desafiou a luta de classes, ao ponto do avô materno escrever, no jornal da Marinha Grande, que nada tinha a ver com o matrimónio. A coisa serenou e, mais tarde, quando os pais se separam, é no lado materno da família que os filhos, ainda miúdos, encontram a raiz do pensamento com a qual se identificam e crescem. O avô Ângelo é uma referência, a mãe a pessoa que lhes "deu tudo", outros deixara marcas, o resto foram descobrindo alimentados pela "sede de saber". É António, o mais novo, que leva Ana para a política partidária, depois de Jorge Sampaio perder as eleições para secretário-geral do PS. É ela quem dinamiza a JS de Almada, mas já antes a jovem estudante tinha mobilizado a escola, numa greve geral contra a Prova Geral de Acesso.

Desses tempos recordam os dias e as noites, na Tasca do Cão ou no Bar da Cerca, os passeios mistério com Romeu Correia, as bandas de garagem, a cultura e a contestação de braço dado numa cidade que haveria de ser a ponte para esta margem.

Teremos tempo para degustar a história dos pratos de Pedro Mendes, chef da cozinha do Marmóris Hotel e Spa, em Vila Viçosa, de saber que estuda cada região, e cada ingrediente, antes de elaborar um prato, e que também se dedica a recriar receitas da avó e da mãe. Galinha de tomatada com puré de batata é o prato eleito pelos irmãos para selar a conversa. Depois, o caçula, António Mendonça Mendes, conta que prefere o recato do gabinete à exposição pública. "Mas, na política, quando somos chamados, temos de ter o kit completo." Líder da federação distrital do PS, em Setúbal, assume que é um homem reservado, e sim, um homem do aparelho. Com talento para a escrita, afiançam os irmãos, o que o deixa "um pouco envergonhado". Quanto a Ana Catarina Mendes, não dispensa graxa na mala do carro porque não gosta "de ter os sapatos sujos". Continua a acreditar na "geringonça" e reconhece ter a diplomacia do sorriso, que leva a que muitos lhe chamem, no PS, a Miss Simpatia. "Sou uma pessoa transparente", assegura, e formiguinha, também consente. E será secretária-geral do PS? "Deixe-me ser líder parlamentar e levar a bom porto a tarefa que tenho em mãos, e que não está fácil, num ano tão difícil de pandemia."

Uma Questão de ADN, um programa de Teresa Dias Mendes, com sonorização de Miguel Silva, passa na TSF depois das 19h e repete Domingo às 14h

A autora não segue a norma do Novo Acordo Ortográfico

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