Uma questão de ADN

Podem ser irmãos, avós e netos, pais e filhos, companheiros, marido e mulher... São pessoas da mesma família que se juntam para uma conversa em que se fala de tudo. São percursos de vida e testemunhos que atravessam diferentes gerações. O que os une para lá do apelido, o que os separa para lá da diferença de idades.
Quarta-feira, depois das 13h00. Repete ao domingo, após as 14h00. Com Teresa Dias Mendes

Rui Couceiro e Lucinda Sá. A geografia dos afetos

Aos 6 anos escreveu o primeiro livro "Átila e os 3 mosqueteiros em Paris da Conchichina", há poucos dias numa mudança de casa, a mãe reencontrou o tesouro agrafado, talvez uma premonição para a vida do jovem editor, que aos 22 anos deixou a rádio e o jornalismo para entrar na Porto Editora. Quinze anos depois, Rui Couceiro é o editor executivo da Bertrand com a chancela da ContraPonto, e o seu primeiro romance pode ser uma das aventuras de 2022. Aqui ou na Conchichina.

"O amor pelos livros tem muito a ver com o facto de numa casa se amarem os livros", recorda Lucinda Sá, pousando o olhar na biblioteca do avô Abel, senhor de uma sabedoria ímpar, apesar da escolaridade elementar. "Ele era um poeta, provador de vinhos do Porto, e um autodidata, tinha um grande vocabulário", conta Rui Couceiro, evidenciando a presença e a força do avô materno na sua vida. A curiosidade e o espanto já guiavam o olhar do miúdo irrequieto que trazia recadinhos na caderneta escolar, mas sempre foi bom aluno.

Em casa, Lucinda, professora de geografia, ensinava os caminhos. "Vai ver ao dicionário" ou "procura no Atlas". O Atlas azul faz parte das memórias de Rui Couceiro, lançando as sementes para o gosto pela descoberta. Gosta de árvores, de rios, de casas, de vinho e de livros.

Mas só a música tem a capacidade de o fazer estremecer. Racional, metódico, acelerado, aprecia começar o dia cedo. "É ainda no duche que surgem as primeiras ideias, depois preciso de escrever. A escrita domestica, ajuda a apaziguar a confusão. É cumulativa, organiza. A maneira como penso melhor, é escrevendo."

Para trás deixou o jornalismo e a rádio. "O meu sonho era trabalhar na rádio", mas terminado o curso e os estágios feitos na rádio e na televisão, as condições oferecidas para continuar não lhe pareceram dignas. "Fiquei chocado." E foi então, tinha 22 anos, que um anúncio da Porto Editora para assessoria se atravessou na Internet. Foi o escolhido entre 800 candidatos.

Passou a vestir fato sem gravata, defende autores e leituras para todos os públicos, gosta de tomar a dianteira, mas acredita no trabalho de equipa, e nunca se cansa.

Lucinda Sá ilustra: "Cansado de quê? Estou a fazer coisas de que gosto. Tem sempre essa resposta desarmante."

Fez parte de uma banda de rock, foi campeão nacional de voleibol no Sporting Clube de Espinho, esfolou muitos joelhos, e continua a nadar. O desporto é fundamental na vida deste editor que caminha para pensar e pensa para publicar. O primeiro romance parece fazer-se ao caminho, mas por enquanto folheamos outras geografias.

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