Uma questão de ADN

Podem ser irmãos, avós e netos, pais e filhos, companheiros, marido e mulher... São pessoas da mesma família que se juntam para uma conversa em que se fala de tudo. São percursos de vida e testemunhos que atravessam diferentes gerações. O que os une para lá do apelido, o que os separa para lá da diferença de idades.
Quarta-feira, depois das 13h00. Repete ao domingo, após as 14h00. Com Teresa Dias Mendes

Tudo começa pela leitura

Maria do Rosário Pedreira e Jorge Pedreira são os mais novos de quatro irmãos. Cresceram rodeados de poemas, de livros, e de amor.

É a editora e poetisa, que chama o professor universitário, para o encontro na rádio. E a cumplicidade fica a pairar no ar da conversa, por entre a música das palavras e outras rimas do quotidiano. A língua, o ofício, o fado. Ouvir como quem lê.

"Nós andamos aqui é por causa do Amor." É sempre o amor que faz disparar o verso, ou a letra. É assim no caso de Maria do Rosário Pedreira, desde pequena: "A minha forma de me fazer ouvir, acabou por ser um bocadinho escrever, para os adultos me darem importância", revela a páginas tantas, a mulher que fazia rimas em caderninhos, e que publica o primeiro livro de poesia aos 36 anos (A Casa e o Cheiro dos Livros, 1996). Os cadernos, continuam a acompanhá-la, para burilar o verso: "A minha poesia é ela que se escreve, aparece um verso que não sabemos donde vem, e às vezes até desaparece, para dar forma e sentido ao poema." A escrita é um desabafo, é onde se livra do que lhe faz mal: "Às vezes dizem-me, já não publica há tanto tempo. É bom sinal." Intensa nas relações, e com os outros, Maria do Rosário Pedreira, conclui adiante "se vivermos uma vida inteira sem amor, isso é uma tragédia". Nas letras para fado, mais de 70, é mais descontraída, e com atrevimento.

Jorge Pedreira, poeta bissexto, como refere a irmã, não publica. O professor universitário, dá aulas de História, e continua a defender a avaliação dos professores. Foi secretário de Estado Adjunto e da Educação, na equipa liderada por Maria de Lurdes Rodrigues, onde o tema gerou a controvérsia que é pública, o que não o fez mudar de ideias. Vem isto a propósito do ensino e dos jovens, da escola pública e duma missão que considera, ainda, não garantir o acompanhamento de todos os que hoje alcançam o patamar do ensino superior. Deixamos as inquietações para debates com outra genica. A genética aqui é outra, e regressamos à infância e à descoberta dos livros, e dos escritores.

Adeus Futuro, o conjunto das crónicas escritas por Maria do Rosário Pedreira, para o Diário de Notícias, foi publicado pela Quetzal, em Abril. Ali ficamos a saber que a autora rifou o primeiro namorado por causa dum bilhete-postal, com um erro de ortografia, escutamos sinónimos de palavras descobertos pela catraia de 8 anos, vivemos episódios do passado, e do presente, que testemunham uma certa "descrença" no futuro. E ainda viramos páginas e páginas de livros que chegam ao crivo da editora, "que procura a arte" de criar combinações que parecem uma outra língua, usando a mesma matéria que serve para pedir um café, ou mandar alguém àquela parte". Aí está a diferença, que proporciona horas extraordinárias.

Rosarinho e Joca, a cumplicidade de dois irmãos de sangue.

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