Uma questão de ADN

Podem ser irmãos, avós e netos, pais e filhos, companheiros, marido e mulher... São pessoas da mesma família que se juntam para uma conversa em que se fala de tudo. São percursos de vida e testemunhos que atravessam diferentes gerações. O que os une para lá do apelido, o que os separa para lá da diferença de idades.
Quarta-feira, depois das 13h00. Repete ao domingo, após as 14h00. Com Teresa Dias Mendes

"Um olho para caçar peças e outro para ver o mundo." João Neto e Catarina Neto em Uma Questão de ADN

Director do Museu da Farmácia, em Lisboa, e presidente da Associação Portuguesa de Museologia, João Neto tem receitas para dar e vender, quando se trata de divulgar, cuidar e melhorar destas "casas do conhecimento".

No museu percorremos 5000 anos da história da saúde, ligando o passado ao mundo que vivemos hoje. Os museus são lugares como este, onde uma Pedra Filosofal, ou um Corno de Unicórnio, convivem com as máscaras da nova pandemia ou com as vacinas Sputnik, as primeiras registadas para a Covid-19. A filha, Catarina Neto, descreve-o como alguém que vive e partilha o prazer da descoberta, "uma rica peça." Hoje é Dia Internacional dos Museus.

O dia criado em 1977 é celebrado sempre a 18 de maio, este ano dedicado ao tema "O Poder dos Museus": o poder de alcançar a sustentabilidade, o poder de inovar nas áreas da digitalização e acessibilidade, o poder de reforçar a comunidade através da educação.

Afinal, João Neto, qual é o poder dos museus? O historiador e museólogo responde sem pestanejar que "é enriquecer as pessoas", uma missão que não vai por diante sem "os recursos humanos suficientes", sem o investimento necessário e o reconhecimento de todos os que sabem e podem transmitir o conhecimento. Falará sobre a polémica nomeação de Rita Rato para o Museu da Resistência, para ilustrar sem ambiguidades a causa que defende. E também o ouviremos dizer que o novo ministro da Cultura, Pedro Adão e Silva, "não pode ser um ministro que olhe apenas para os museus afetos ao património do Estado, e isso tem acontecido".

Propõe ainda melhores estratégias de comunicação para atrair os visitantes aos museus e destaca o trabalho de equipa "do vigilante ao diretor", sugerindo aos últimos que saiam dos gabinetes e circulem pelo espaço, tomando o pulso às emoções do público. É o seu caso, e com muitas histórias para contar, algumas passadas no Museu da Farmácia, outras, como aquela vez no Egito, em que o bigode retorcido nas pontas - é um monárquico convicto - lhe deu honras de aclamação, qual Rei-Faraó, a quem as pessoas pediam para tirar fotos e a quem foi autorizada a visita a uma das pirâmides, que não estão abertas ao público.

Também não é por acaso que lhe chamam o Indiana Jones das farmácias: "Tinha esse toque no telemóvel até há bem pouco tempo", recorda Catarina Neto, a filha que não quis seguir História, mas cuja vida está umbilicalmente ligada a este vasto mundo do conhecimento "desde a barriga da mãe; não nasci num museu, mas foi quase".

A descoberta de uma moeda no Coliseu de Roma, que mais tarde soube ter sido o pai a colocar ali, ou um teste que correu melhor porque o pai lhe disse que, tocando no Corno do Unicórnio, ficaria com superpoderes, são dois entre muitos episódios que recorda e que ilustram aquilo que entende ser o poder dos museus: "É também a magia de pessoas como o meu pai que nos fazem aprender e acreditar."

Com Omeprazol, um dos cocktails servidos no restaurante do Museu da Farmácia, o único efeito secundário da visita é querer repetir.

Uma Questão de ADN, com Teresa Dias Mendes e cuidado técnico de João Félix Pereira.

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