Uma questão de ADN

Podem ser irmãos, avós e netos, pais e filhos, companheiros, marido e mulher... São pessoas da mesma família que se juntam para uma conversa em que se fala de tudo. São percursos de vida e testemunhos que atravessam diferentes gerações. O que os une para lá do apelido, o que os separa para lá da diferença de idades. Com Teresa Dias Mendes.

Uma dúzia de Escritarias e outros contos

São viagens pela nossa terra. Alberto Santos é o autor e o filho, Guilherme, segue os trilhos deixados pelo caminho. Uma Questão de ADN.

Crescer na freguesia onde cresceu o 1º Rei de Portugal, pode traçar um destino. E a imaginação de Alberto Santos fez o resto. Em menino, brincava descalço, lá em Paço de Sousa, junto ao mosteiro, onde podemos visitar o túmulo de Egas Moniz . O aio, ou pai, de Afonso Henriques, segundo algumas rezas da História, ergue nesta freguesia de Penafiel o seu paço. E os miúdos do lugar, brincavam a imaginar um amigo invisível, que viria a ser o primeiro Rei de Portugal.

Alberto Santos é hoje advogado, vocação que descobriu, quase à porta da Universidade, "não foi amor à primeira vista", depois de ter seguido Humanidades, a área de estudos possível no Seminário das Carmelitas Descalças. A vida monástica não era, nunca foi, um chamamento, mas o ensino era o melhor possível no concelho de Penafiel.

Foi lá, em Paço de Sousa, que cresceu também Guilherme Santos. O filho já não brincou descalço, era o" minorca", como lhe chamavam na escola, pela estatura pequena e franzina. Hoje, mantêm a figura esguia, mas é o mais alto. Acaba de entrar na Universidade, para uma dupla licenciatura, Direito e Gestão. Aluno de 20 a Matemática e amante de livros policiais. Atento aos enredos da lei e das suas manhas. Tem os órgãos interiores ao contrário da maioria. Coração do lado direito, Situs Inversus Completus, é o nome desta anomalia, que não é grave, porque todos os órgãos internos, convive no corpo dele em harmonia, mas em espelho. E é claro, que há histórias para contar sobre a descoberta desta situação.

Tal como o pai, Guilherme também tem uma costela política. Para já, é um jovem indignado com a abstenção, talvez se aliste numa juventude partidária, depois, logo se vê. O pai, Alberto Santos, foi Presidente da Câmara de Penafiel. E foi por essa altura, em 2008, que desencantou o festival literário Escritaria. Onde um autor de língua portuguesa é homenageado, onde a cidade veste a obra do escritor, onde as escolas se envolvem, onde a poesia e a prosa se soltam pelas ruas. Alberto Santos continua a ser o rosto da Escritaria, ou o comissário cultural, para sermos fieis ao título. E os livros são a sua segunda pele. Um caçador de destinos, se lhe roubarmos o título do penútilmo livro.

Uma Questão de ADN, um programa de Teresa Dias Mendes, com sonorização de Joaquim Pedro. Passa às quintas-feiras e repete Domingo, depois das 14h.

Patrocinado

Apoio de

Patrocinado

Apoio de

Outros Artigos Recomendados