Uma questão de ADN

Podem ser irmãos, avós e netos, pais e filhos, companheiros, marido e mulher... São pessoas da mesma família que se juntam para uma conversa em que se fala de tudo. São percursos de vida e testemunhos que atravessam diferentes gerações. O que os une para lá do apelido, o que os separa para lá da diferença de idades. Com Teresa Dias Mendes.

Voto na urna, roupa no alguidar. O primeiro dia do novo eurodeputado do PAN

A noite foi de festa, a manhã seguinte como tantas outras. E depois da eleição, o eurodeputado do PAN tinha roupa para estender nas cordas lá de casa.

Não estavam vizinhos à janela para se meterem com ele, mas lá onde vive, em Cascais, todos sabiam que o Francisco tinha sido eleito na noite passada. Segunda-feira, dia 27 de maio, o primeiro dia do resto da vida de Francisco Guerreiro. Mais uma mudança. E a vida dele já deu algumas voltas e outras tantas surpresas.

O Jorginho, como lhe chamam na família, é o nome que o identifica, até chegar à faculdade, em Coimbra. Era Jorginho lá em casa, e Jorge para os amigos. Só mais tarde começou a assinar Francisco Guerreiro.

Já depois do curso de comunicação social, depois de perceber que não era esse o caminho, depois de uns trabalhos para a Comissão Europeia, Francisco Guerreiro estava longe de sonhar, então, que um dia se viria a sentar nas cadeira do Parlamento Europeu. "Nem me passava tal coisa pela cabeça."

Aos 34 anos é eleito eurodeputado. Caiu-lhe a ficha, quando o site do MAI fez aparecer no ecrã, o bonequinho que garantiu um mandato para o Partido-Animais-Natureza e o bonequinho era ele, "o Jorginho", como exclamavam os filhos de Maria Luísa, a prima direita com que cresceu em Linda-a-Velha, a prima "Luisinha". É tudo "inhos" e "inhas" lá na família.

Jorge Francisco Guerreiro chegou a esta família com três anos, em outubro de 1987, e a data passou a ser celebrada.

Adotado pelos tios de Maria Luísa, foi como um irmão mais novo para ela. "Eu e a minha irmã andávamos a pedir um irmão aos meus pais. Nunca veio, mas veio o Jorginho."

As brincadeiras na rua, os filmes do Bugs Bunny nas cassetes VHS, o cinema nas Amoreiras e na Tropical, o longe que Linda-a-Velha ficava de Lisboa. "Era como se vivêssemos no fim do mundo."

Francisco era um menino de caracóis louros e sorriso matreiro: "Era perspicaz e gostava de esticar a corda", Francisco foi um menino feliz. "Estou muito bem resolvido. Nunca senti necessidade de procurar a minha família biológica."

Até que há dois ou três anos, a família o procurou a ele. Uma fotografia antiga, redes sociais e uma história com final feliz. A família voltou a a crescer. Tal como a família política.

Tem 34 anos, duas filhas, é vegan, recolhe lixo desde miúdo e prepara as malas para Bruxelas. Deixa a promessa de uma visita a Barrancos, onde nunca foi, para conhecer a terra onde o PAN teve zero votos, e arriscar: "Uma sopa de verduras." Bebeu água da torneira durante o programa.

O programa Uma Questão de ADN, de Teresa Dias Mendes, passa esta quinta-feira depois do noticiário das 19h00 na TSF.

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