Verdes Hábitos

Os hábitos também se mudam. No combate ao estado de emergência climática, todas as semanas damos a conhecer novas ideias para mudar velhas rotinas. Com Sara Beatriz Monteiro e Inês André de Figueiredo.
Para ouvir todas as sextas-feiras, às 18h40.

"A luta climática é uma luta social." Como dar os primeiros passos no ativismo ambiental

O Verdes Hábitos foi ao encontro de Tiago Matos, um ativista pela justiça climática que explica que ter um papel ativo na sociedade não tem de ser um bicho de sete cabeças.

Escolher bem as lutas é essencial para dar os primeiros passos no ativismo. Quem o defende é Tiago Matos, um ativista pela justiça climática. Preocupado em "construir atitudes positivas no ambiente e na sociedade", o jovem de 26 anos lançou, em 2020, uma página de Instagram na qual criou uma "tribo" de seguidores com hábitos e ideias sustentáveis.

Em entrevista ao programa da TSF "Verdes Hábitos", o criador da comunidade Green Tribe explica que ser ativista não implica fazer do ativismo uma profissão, mas sim "pormos todos os nossos recursos em prol daquilo que defendemos".

O primeiro passo para ser ativista é, na perspetiva de Tiago Matos, canalizar a energia para uma área específica: "Eu sou um homem de muitas causas, mas tenho de me focar só numa, porque eu não consigo lutar por todas de forma eficiente."

Ainda assim, explica que o ativismo pela justiça climática contempla áreas que normalmente não são associadas à ecologia, como "as questões do feminismo, do patriarcado, do machismo, do sexismo e do racismo".

Na visão de Tiago Matos, quando se fala de sustentabilidade é importante falar de temas como o "patriarcado" (tipo de organização social em que a autoridade é exercida por homens), o capitalismo e a procura constante do lucro, bem as consequências ambientais destes sistemas.

"Nós vemos esta questão do homem branco e do patriarcado nas questões capitalistas, nós queremos o lucro, nós usamos os recursos da terra sem pensar no que pode daí advir a nível social e económico", sustenta.

Para o ativista é claro que "a luta climática é uma luta social", ou seja, é fundamental aumentar a representação das pessoas historicamente discriminadas por um planeta melhor: "Por exemplo, se valorizarmos o papel da mulher na sociedade e percebermos que elas são importantes nas decisões políticas dos países, nós estamos a lutar pelo ambiente."

Noutro plano, Tiago Matos explica que o ativismo pode também passar por alterações nos padrões de consumo "ao seguir um estilo de vida mais consciente".

E o ativismo tem lugar num jantar de família? O jovem acredita que sim. "Quando alguém faz uns comentários [desagradáveis], nós, por termos confiança com essas pessoas, podemos ser os primeiros a dizer que isso está errado e a explicar porquê".

No fundo, explica, ser ativista é "usarmos a nossa voz, o nosso privilégio, a nossa vontade de mudar e dar a nossa opinião sem medo de sofrer represálias".

"Se acharmos que o facto de não falarmos não vai mudar nada, então não vai mesmo mudar nada", remata.

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