Verdes Hábitos

Agir é preciso! As mudanças de hábitos em tempos de emergência climática. As grandes questões, os desafios, os problemas relacionados com a sustentabilidade e o ambiente. "Verdes Hábitos" na TSF com Carolina Quaresma e a Associação Ambientalista Zero. Às segundas-feiras depois das 20h00 e sempre em tsf.pt.
(Até 2021 o programa foi da autoria de Sara Beatriz Monteiro e Inês André de Figueiredo).

Ar, água, solos e biodiversidade. Como proteger o planeta Terra?

Antecipando o Dia Mundial da Terra, que se assinala na sexta-feira, dia 22 de abril, o Verdes Hábitos desta semana aborda a poluição do ar, da água e dos solos, e a importância da biodiversidade para a sobrevivência do planeta. Francisco Ferreira, da associação ambientalista Zero, reflete sobre aquilo que mais afeta a Terra nos dias de hoje e dá sugestões para proteger e "garantir um planeta com futuro".

Na sexta-feira assinala-se o Dia Mundial da Terra. O ar, a água, os solos e a biodiversidade são elementos importantes para a sobrevivência do planeta, sendo a poluição um dos problemas que afeta todos estes aspetos. No Verdes Hábitos desta semana, Francisco Ferreira, da associação ambientalista Zero, fala sobre os desafios que a Terra enfrenta atualmente.

Recentemente a Agência Nacional Oceânica e Atmosférica dos EUA apontou que os níveis de metano voltaram a bater recordes, em todo o mundo, em 2021, e os níveis de dióxido de carbono também continuam a aumentar significativamente. Para contrariar esta tendência, Francisco Ferreira afirma que faltam, "acima de tudo, políticas concretas que diminuam as emissões dos gases com efeitos de estufa", como o dióxido de carbono, o metano, o gás natural, o óxido nitroso e os hidrofluorocarbonetos.

"De todos estes gases, o metano acaba, pela investigação mais recente, por ser o protagonista, porque está a chegar-se à conclusão que este gás, que é muito mais potente em termos de aquecimento global do que o dióxido de carbono, está a ter maiores emissões que se pensam estar, precisamente, relacionadas com a extração de gás natural e a agropecuária." Francisco Ferreira recorda que na COP26, em Glasgow, o metano "recebeu especial atenção no sentido de, até 2030, os vários países tentarem identificar as fontes deste gás e reduzirem os usos que levam a esta emissão".

Contudo, nem todos os países assumiram este compromisso global. A Rússia, a China e a Índia, três dos maiores emissores, optaram por ficar de fora desta que seria uma "prioridade de ação". "Um dos motivos é sem dúvida haver uma forte utilização da extração de gás natural, no caso da Rússia, que é um forte exportador para a Europa. No caso da China e da Índia, a mesma preocupação da Rússia, mas também alguma relação com o próprio peso do tratamento de resíduos, nomeadamente, o facto de em aterros de resíduos urbanos, que deve ser uma última hipótese, mas se nós lá colocarmos matéria orgânica, ela resultar em emissões de metano, e depois também a agropecuária."

Poluição do ar: os perigos do metano e do dióxido de azoto

Uma investigação da Federação Europeia dos Transportes e Ambiente realizada aos navios movidos a gás natural liquefeito, supostamente "limpos", mostrou quantidades significativas de metano invisível lançado para a atmosfera. Francisco Ferreira diz que "os portos portugueses e muitos outros na Europa e no mundo estão a investir em assegurar que estes navios recebem prioridade em termos de investimento e de abastecimento", mas "afinal são problemáticos". Como solução, propõe que se aposte em combustíveis alternativos, como o hidrogénio, a amónia ou outros "que não têm este peso climático".

Em Portugal, mais especificamente em Lisboa, na Avenida da Liberdade, verificam-se valores demasiado elevados de dióxido de azoto devido à concentração diária de trânsito.

"Nos centros das cidades, é acima de tudo à custa do tráfego rodoviário, principalmente dos veículos a gasóleo e dos carros mais antigos, que temos emissões de dióxido de azoto. O ideal é mesmo reduzirmos fortemente o tráfego rodoviário nos centros das cidades pela criação de 'zonas zero emissões', que já começamos a ver em vários locais da Europa. Precisamos de melhor qualidade do ar, menos ruído, mais mobilidade ativa e sustentável, como andar a pé, de bicicleta ou de trotinete. Por outro lado, impedir que os carros mais antigos circulem, e aí temos as 'zonas de emissões reduzidas'. No caso de Lisboa, é a única cidade que tem esta medida, mas já está muito desatualizada e praticamente não tem peso nenhum. Precisamos de atualizar esta medida, mas acima de tudo, promover o transporte público e tirar os carros do centro da cidade", considera.

Água: como combater a seca e a poluição marinha?

A água é outros dos elementos fundamentais para o planeta Terra e um dos seus maiores problemas é a seca. "Com as alterações climáticas, já estamos a ter períodos de seca maiores, mais violentos, mais frequentes, e precisamos de usar bem a água, de não a desperdiçar e é crucial que, nas atividades agrícolas, onde utilizamos cerca de 70 a 75% da água, nós não tenhamos desperdícios elevados. O mesmo em relação à atividade industrial e ao abastecimento das nossas casas. Há um papel muito importante das autarquias, mas há um papel muito importante nosso em utilizar bem a água. À escala mundial, não é ao fazermos mais barragens que resolvemos o problema, é acima de tudo em percebermos que é crucial fazermos um uso suficiente e eficiente deste recurso", reforça Francisco Ferreira.

Além do ar, também a água é alvo de poluição, nomeadamente através dos plásticos. "A poluição marinha chega-nos porque os plásticos vão-se degradando e ficam em microplásticos e entram na cadeia alimentar e cada vez há mais evidências de que já os temos na nossa circulação sanguínea."

"Continuamos a ver muito lixo a chegar às ribeiras, rios e oceanos e precisamos de continuar, à escala mundial, a dar atenção à necessidade de fornecermos água potável a todos e tratarmos essa água para não pormos em causa os cursos de água e os oceanos", acrescenta.

Solos, "um capital natural" e o "verdadeiro suporte dos ecossistemas"

A poluição também afeta os solos, destruindo-os, fazendo com que, depois, seja "impossível" suportar a vida.

"Quando artificializamos várias áreas, deixamos de ter uma zona que suportaria culturas agrícolas, matos selvagens ou florestas. O solo em si já é extremamente importante. Depois, quando abusamos dos fertilizantes e dos pesticidas, pomos em causa o solo, que é o verdadeiro suporte dos ecossistemas. Temos aqui um capital natural que fica em risco à custa de não tratarmos do elemento estruturante do meio terrestre, que é o solo", assinala Francisco Ferreira.

Biodiversidade: qual a importância dos insetos polinizadores?

Os insetos polinizadores são "absolutamente cruciais para o funcionamento dos ecossistemas". Francisco Ferreira alerta que "temos vindo a perder muitos habitats", o que faz com que "as abelhas, borboletas e outros insetos, que estão presentes nos nossos jardins, deixem de ter a capacidade de fazer a propagação de muitas das plantas, nomeadamente, porque temos vindo a abusar do uso de pesticidas sintéticos".

Um estudo britânico concluiu que a criação de pequenos jardins, ou "mini prados", em espaços urbanos, podem fornecer um habitat rico e ser uma fonte de alimento para estas espécies. Francisco Ferreira esclarece que estes "mini prados" podem ser "fundamentais e cruciais para garantir a existência, não apenas em termos de abrigos, mas de atividade e de influência à volta".

"Até na nossa varanda conseguimos fazer pequenos jardins que fazem toda a diferença, usando espécies que nos são familiares, como a alfazema, o tomilho, a menta, os orégãos, o alecrim", adianta.

O que fazer para proteger o planeta Terra?

Antecipando o Dia Mundial da Terra, Francisco Ferreira sugere a redução do consumo e do desperdício.

"Se queremos preservar o ar, a água, o solo, a biodiversidade, não podemos continuar a pensar que temos um planeta ilimitado, com recursos ilimitados, que depois nos damos ao luxo de também desperdiçar. Se nós, no nosso dia a dia, fizermos um uso suficiente daquilo que o planeta nos dá e renova todos os anos, estamos verdadeiramente a garantir uma terra com futuro e assim vale a pena comemorar o dia 22 de abril", conclui.

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