Verdes Hábitos

Os hábitos também se mudam. No combate ao estado de emergência climática, todas as semanas damos a conhecer novas ideias para mudar velhas rotinas. Com Sara Beatriz Monteiro e Inês André de Figueiredo.
Para ouvir todas as sextas-feiras, às 18h40.

"Dar tempo é mais difícil do que dar coisas." É possível ser mãe e minimalista?

Joana Guerra Tadeu é mãe, minimalista e curadora para a sustentabilidade e foi a convidada desta semana do programa da TSF "Verdes Hábitos".

Uma sala cheia de brinquedos, tralha em todas as estantes e objetos que nunca foram usados. Este é um cenário muito comum nas casas dos portugueses, mas muito distante da realidade de Joana Guerra Tadeu. Minimalista e apaixonada pelas questões ambientais, esta curadora para a sustentabilidade consegue conciliar um estilo de vida desapegado dos bens materiais com a maternidade. O segredo, revela ao programa da TSF "Verdes Hábitos", é dar mais tempo do que coisas.

Joana Guerra Tadeu tem uma filha de dois anos, a Aurora, uma bebé conhecida por quem segue a página A Minimalista nas redes sociais. Ao contrário do que acontece com a maioria das crianças, a bebé Aurora (como a mãe lhe chama nas redes sociais) está a aprender, desde o berço, a "treinar o desapego" a valorizar mais o tempo que passa com a família do que as coisas que possui e a aceitar e ecologia como parte integrante do crescimento. O maior desafio dos pais, para já, é explicar este estilo de vida aos restantes membros da família e aos amigos.

"Recebemos sempre muitos presentes, as pessoas fazem isso com todo o amor, mas nós temos esta noção de que ajudar é dar coisas e eu costumo dizer que ajudar é dar tempo. Dar tempo torna-se um desafio muito maior do que dar coisas", começa por contar ao Verdes Hábitos.

No dia-a-dia desta família não há idas semanais ao centro comercial, sempre que entra um brinquedo novo em casa sai um antigo e não há lugar para presentes não solicitados: "O que nós costumamos dizer aos nossos familiares e amigos, tanto no Natal como no aniversário da Aurora, é: 'Se vocês nos derem um presente que nós não dissemos especificamente que nos fazia falta não se podem chatear se a gente a seguir o vender em segunda mão ou o oferecer a um amigo'".

Encontrar um ponto de equilíbrio é uma tarefa quase hercúlea e, por isso, a autora do podcast Puericooltura acredita que é fundamental ter bom senso e saber como dizer não: "É preciso explicar porquê. Não é só dizer que não e ser cruel. Nós não podemos ser cruéis, até porque se fizermos isso perdemos logo a razão e ninguém percebe e não se compreende. É importante que as pessoas compreendam porque é que estamos a dizer que não."

Para os pais de primeira viagem, A Minimalista aconselha a repensarem o que é realmente indispensável, comprar tudo o que puderem em segunda mão e a cultivarem o aborrecimento: "Deixem as crianças ficar muito aborrecidas, muito entediadas, porque é aí que as pessoas pensam e é aí que as pessoas são criativas e é aí que as pessoas aprendem a fazer coisas sem terem objetos e a criar."

Leia a crónica de Joana Guerra Tadeu aqui

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