Verdes Hábitos

Os hábitos também se mudam. No combate ao estado de emergência climática, todas as semanas damos a conhecer novas ideias para mudar velhas rotinas. Com Sara Beatriz Monteiro e Inês André de Figueiredo.
Para ouvir todas as sextas-feiras, às 18h40.

Do contentor à sala de estar. Designers transformam "tralha" em peças com história

No ateliê Tralha os objetos entram com um ar apagado e saem com um aspeto vivo. O Verdes Hábitos visitou esta oficina onde o novo é transformado em velho, com doses generosas de criatividade.

As pilhas de cadeiras, bancos e mesas abandonadas junto aos contentores do lixo fizeram com que três amigos designers percebessem que o confinamento estava a contribuir para a dinâmica "compra, usa e deita fora". Estar fechado 24 horas entre as mesmas quatro paredes convidada à mudança das divisões e havia cada vez mais móveis "perdidos ou esquecidos" pela cidade de Lisboa. Catarina Capelo, Rita Capelo e Tiago Sousa arregaçaram as mangas dos macacões cheios de tinta e decidiram recolher estes objetos e dar-lhes "uma nova vida", no ateliê Tralha.

Em entrevista ao programa da TSF "Verdes Hábitos", Catarina Capelo explica que estas peças "têm personalidade e história". No ateliê Tralha estes objetos são homenageados recebendo "o nome dos antigos donos ou da rua onde foram encontrados".

Para a designer, é fundamental voltar ao hábito antigo de restaurar ou dar uma segunda vida às peças de mobiliário e "fazer um exercício de criatividade", pensando em novos caminhos para uma peça. Uma estante pode, por exemplo, transformar-se em duas mesas, propõe.

Além da transformação das peças que são vistas como lixo ou tralha, neste ateliê há outros hábitos sustentáveis que passam pelo aproveitamento da água de lavar os pincéis para outros fins, pelo uso de latas de grãos e caixas de gelado para a organização do espaço e, por fim, "todas as peças utilitárias que estão no ateliê, desde o microondas à máquina do café, foram compradas em segunda mão".

Mas, antes de dar uma segunda vida aos objetos, é importante fazer com que a primeira vida seja o mais duradoura possível. Para tal, Catarina Capelo aconselha a "estimar bem as peças", limpá-las com produtos adequados, "proteger as superfícies com paninhos ou vidro" e atacar o bicho da madeira desde o início, evitando que ele se espalhe pelo resto da mobília.

Outra dica económica e sustentável passa por renovar a disposição da divisão em vez de comprar móveis novos. "Se calhar não precisamos de comprar um sofá novo, se calhar precisamos só de trocar o sítio onde o sofá está", remata.

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