Verdes Hábitos

Agir é preciso! As mudanças de hábitos em tempos de emergência climática. As grandes questões, os desafios, os problemas relacionados com a sustentabilidade e o ambiente. "Verdes Hábitos" na TSF com Carolina Quaresma e a Associação Ambientalista Zero. Às segundas-feiras depois das 20h00 e sempre em tsf.pt.
(Até 2021 o programa foi da autoria de Sara Beatriz Monteiro e Inês André de Figueiredo).

Férias de verão à porta. Como praticar um turismo mais sustentável?

Apesar de ser fundamental para a economia, o turismo pode trazer problemas para o ambiente. No Verdes Hábitos desta semana, Francisco Ferreira, da associação ambientalista Zero, explica quais os principais impactos ambientais da atividade turística, como é o exemplo do ordenamento do território, e dá algumas sugestões que podem e devem ser adotadas para um turismo mais amigo do ambiente.

O turismo é, obviamente, essencial do ponto de vista económico, mas, por outro lado, pode representar um problema no que toca ao ambiente e ao clima. Segundo Francisco Ferreira, da associação ambientalista Zero, o turismo "pode e deve fazer parte de um desenvolvimento sustentável que enquadra a vertente ambiental, económica e social, que são absolutamente cruciais".

Em 2019, Portugal recebeu quase 27 milhões de turistas e, por isso, é essencial "dinamizar a prosperidade de um território como o nosso, onde a atividade turística é um pilar da sustentabilidade". Contudo, o turismo pode ser "problemático", por exemplo, do ponto de vista das infraestruturas". Francisco Ferreira explica: "Por um lado, o impacto mais crucial do turismo é no ordenamento do território, na localização dos equipamentos, por outro lado, também na própria dinâmica das cidades, o tipo de ocupação do centro das cidades para alojamento local, para alojamento turístico e aí também pomos em causa aquilo que é a proximidade entre as pessoas e o emprego, porque como as habitações ficam muito caras, vão para o alojamento local em vez de irem para as pessoas que beneficiariam e integrariam mais facilmente a dinâmica da cidade, poupando deslocações e fazendo parte da funcionalidade que se pretende no centro urbano."

A construção cada vez maior de empreendimentos turísticos torna-se também um problema, alerta Francisco Ferreira. "Quando eu construo muito e em locais errados, isso é um risco para o próprio empreendimento. Com a subida do nível do mar ao longo das próximas décadas, com zonas vulneráveis a cheias, a ondas de calor, com o processo que está a acontecer do clima estar a deslocar-se para o Norte e eu ter um clima cada vez mais seco no Norte de Portugal e muito mais seco no Sul de Portugal... tudo isso acaba por ter que ser integrado naquilo que é a escolha dos locais em causa."

O comportamento dos próprios turistas pode também contribuir para o agravamento desse problema, diz o especialista, dado que "muitos deles ainda apreciam este tipo de empreendimentos em zonas, algumas delas, escandalosas do ponto de vista paisagístico e natural". Assim como as viagens, "onde o avião tem um impacto muito grande, no fundo é como se nós fossemos sozinhos de carro fazemos milhares de quilómetros para ir para outro local, seja para Europa, seja outro qualquer sítio do mundo".

Em Portugal, as regiões que mais sentem o impacto do turismo "mais massificado" é o Algarve e a zona litoral. "É aí que nós temos os maiores problemas, a maior pressão, porque temos inúmeros exemplos de aldeias históricas, de percursos que podem ser feitos na natureza, o turismo de natureza é uma valência absolutamente crucial em qualquer região do país, mas quando chegamos ao litoral, a começar logo pelos portugueses que estão a gozar as suas férias fora do local que habitam, nós temos uma dificuldade muito maior de tornar este ecossistema sustentável. E temos aqui um enorme desafio pela frente, porque realmente estamos a falar de regiões que, do ponto de vista das consequências das alterações climáticas, podem ser um risco", afirma Francisco Ferreira.

Mas o turismo também pode ter impacto positivo no ambiente? Francisco Ferreira diz que sim. "Em primeiro lugar, porque quando temos turistas a visitar-nos é uma forma de ficarem a conhecer o nosso património natural, que é único, e por isso mesmo poderem preservá-lo melhor. Quem fala do património natural, fala também do património histórico, cultural, das pessoas, daquilo que é verdadeiramente a sustentabilidade. Quando falamos da sustentabilidade, falamos das relações sociais, daquilo que é criarmos laços que nos permitem ser, viver felizes, satisfeitos, e o turismo dá-nos essa visão ampla. Acho que é fundamental cada um de nós ser também turista e acolhermos os turistas, porque dá-nos uma visão do mundo muito diferente."

Turismo sustentável: ambiente, sociedade e economia

Tendo em conta os problemas e consequências do turismo no ambiente, a aposta deve ser, cada vez mais, no turismo sustentável.

"O turismo sustentável dá uma abrangência maior, ou seja, não é só a valência ambiental, é também a valência social e económica que está em causa com a atividade turística. Portanto, temos aqui uma mais-valia muito mais significativa e o que é facto é que podemos praticar este turismo mais amigo do ambiente se nos lembrarmos de algumas dicas simples: esperamos nós daqui a algum tempo que possamos utilizar o comboio na Península Ibérica para fazer viagens, também dentro de Portugal vamos ter essa oportunidade cada vez maior, partilharmos viaturas, usarmos o autocarro... De acordo com as distâncias, conseguirmos adequar, acima de tudo aproveitarmos, conhecer a biodiversidade que nós temos, nomeadamente, em Portugal, porque é única à escala mundial", sustenta.

Este tipo de turismo tem ainda outras vantagens, como "visitar e conhecer outros locais, outras pessoas, outras culturas, mas também de ganharmos informação e formação sobre aquilo que são as questões ambientais, as questões sociais dessas diferentes regiões".

E será que o turismo sustentável tem desvantagens? Francisco Ferreira refere que isso é uma possibilidade, "mais que não seja porque, às vezes, se calhar eram locais que nós devíamos visitar menos e que assim começam a ser mais conhecidos, mais visitados, estamos a aumentar a pressão. É muito importante termos informação disponível para conseguirmos prevenir para que aquilo que a absorção do meio que vamos conhecer não se traduza num prejuízo, mas sim naquilo que nós queremos que seja uma melhor consciência ambiental e ecológica da realidade".

Como praticar um turismo mais amigo do ambiente?

Francisco Ferreira dá alguns conselhos que devem ser tidos em conta para um turismo mais sustentável. Tome nota:

"O transporte é um dos dramas, portanto, se nós conseguirmos reduzir a nossa pegada na seleção dos locais, em vez de fazermos um fim de semana, estendermos mais, fazermos menos viagens com períodos mais longos; escolhermos alojamentos sustentáveis, movermo-nos usando os transportes públicos, partilhando um carro, usando a bicicleta ou andar a pé, ter tempo para conhecer as cidades e as zonas naturais; portarmo-nos como nos deveríamos portar em casa na poupança de água, naquilo que são as recomendações que já muitos alojamentos têm e, por último, tentarmos gozar o local para onde vamos como se fosse aquele em que vivemos e que queremos estar atentos, salvaguardar, onde queremos ser mais uns residentes durante algum tempo e ficamos verdadeiramente a amar aquele local, a querer protegê-lo e, por isso mesmo, temos que nos conter naquilo que possam ser exageros que tenham impacto nessa mesma sustentabilidade."

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