Verdes Hábitos

Os hábitos também se mudam. No combate ao estado de emergência climática, todas as semanas damos a conhecer novas ideias para mudar velhas rotinas. Com Sara Beatriz Monteiro e Inês André de Figueiredo.
Para ouvir todas as sextas-feiras, às 18h40.

Fruta Feia para gente bonita. O cabaz de fruta e legumes que ia para o lixo

A Fruta Feia está a crescer e tem cada vez mais pontos de entrega pelo país.

O cheiro a fruta e a legumes está por todo o lado e o chão da delegação da Fruta Feia de Santa Clara já está repleto de cabazes, uns grandes, uns pequenos. À porta, começa a formar-se uma fila que não desperta a curiosidade a quem passa. Uma mesa à porta, um computador e uma caixa com trocos. Está tudo pronto para receber quem ali vai buscar um cabaz.

Ainda antes das 17h00, altura em que começa a distribuição, um homem aproxima-se curioso. "O que é isto?" Marta Vieira, uma das responsáveis pelo projeto, explica que é preciso ser sócio, mas que o excedente pode ser recolhido ali, sempre que os sócios não podem ou não querem reconhecer um cabaz naquele dia.

Há dois tipos de cesta, a pequena que tem sete variedades de fruta e legumes todas as semanas, e a grande que tem oito produtos e o dobro da quantidade. Hoje é dia de cebola, nabiça, tomate, pêra, maçã, maracujá e abóbora, sendo que o melão é o elemento extra da cesta grande.

Quem aqui chega, como é o caso de Pedro Daniel, dirige-se à cesta que comprou, mete os produtos num saco que trouxe de casa e deixa a cesta vazia num dos cantos do espaço. As cestas são sempre as mesmas para que não se faça lixo na distribuição.

Sete anos depois do início, a Fruta Feia tem 12 pontos de entrega, entre Lisboa e Porto, 12 trabalhadores, uma rede de 250 agricultores e 5500 associados. Mais do que um crescimento de números, o projeto orgulha-se dos números que já ajudou a diminuir: "Já salvámos mais de duas mil toneladas de fruta e legumes do lixo", conta Artur Santos, um dos responsáveis pelo projeto.

Além de um impacto social, porque esta comida está a chegar a pessoas e iria para o lixo, Artur aponta a existência de um "impacto ambiental brutal", com solo, água e energia gastos na produção destes alimentos. "Desde o início do projeto a água que nós já salvámos corresponde a mais de duas mil piscinas olímpicas de água", exemplifica.

A Fruta Feia tem crescido nos últimos anos, mas muitas pessoas continuam em lista de espera para conseguir um lugar entre os sócios da cooperativa. Artur Santos explica que se trata de questões logísticas, desde o espaço da carrinha ao espaço nos pontos de entrega, mas também da relação que se quer manter com quem compra estes cabazes.

Neste momento, o projeto está nomeada - através do FLAW4LIFE, para o prémio LIFE 2020 da União Europeia e é possível votar aqui.

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