Verdes Hábitos

Os hábitos também se mudam. No combate ao estado de emergência climática, todas as semanas damos a conhecer novas ideias para mudar velhas rotinas. Com Sara Beatriz Monteiro e Inês André de Figueiredo.
Para ouvir todas as sextas-feiras, às 18h40.

Menos lixo, mais composto. A revolução das "minhocas veganas em dieta"

O fundador da "Revolução das Minhocas" explica os princípios e as vantagens da vermicompostagem ao programa da TSF "Verdes Hábitos".

Não comem nada de origem animal e detestam gorduras, açúcares e sal. São viscosas e há quem as ache nojentas, mas as minhocas podem ter um papel fundamental dentro das casas dos portugueses. Isto porque aceleram o processo de compostagem, transformando aquilo que seria lixo em fertilizante amigo do ambiente. Foi a pensar na importância destes bichos que Pierre Del Cos, um jovem com origens mexicanas e francesas, decidiu criar, em Celorico de Basto, a associação "Revolução das Minhocas".

Em entrevista ao programa da TSF "Verdes Hábitos", o fundador desta organização nascida em 2018 explica que o objetivo é sensibilizar e capacitar as pessoas para a redução da pegada ecológica dos resíduos orgânicos através da vermicompostagem.

"A vermicompostagem é um tipo de compostagem que se faz com minhocas. Elas aceleram o processo, o que faz com que possamos fazer compostagem no interior (por exemplo, num apartamento). O adubo obtido é da melhor qualidade, produz um adubo sólido e um adubo líquido que é muito prático para usar em casa ou até em grandes plantações", sustenta.

Este processo acontece dentro de um vermicompostor, ou seja, "uma caixa mágica onde moram as minhocas". Esta caixa pode ser feita de madeira, esferovite, plástico ou outros materiais reutilizados e deve ter algumas condições asseguradas, como "a escuridão, o arejamento, a humidade e o alimento" e deve estar "num local com uma temperatura adequada".

Quanto à alimentação das minhocas, Pierre Del Cos gosta de dizer que são "veganas em dieta", uma vez que não podem ser alimentadas com produtos de origem animal (carne, peixe, iogurte, por exemplo) e não comem alimentos temperados (açúcar industrial, gorduras, alimentos salgados). Por outro lado, as cascas dos legumes, as borras de café e os saquinhos de chá podem entrar no vermicompostor.

Além disso, explica o fundador da associação, deve cobrir-se estes resíduos com uma matéria seca, como o cartão, "para manter a humidade e a temperatura certa no vermicompostor e para evitar cheiro e moscas". Até porque "um vermicompostor que está bem cuidado não tem cheiro nem moscas", garante.

Na perspetiva de Pierre Del Cos, fazer compostagem é não só uma forma de reduzir a pegada ecológica dos resíduos orgânicos, mas também de "promover uma atividade sustentável, baseada na economia circular", de "evitar a utilização de fertilização química", de reduzir a quantidade de lixo nos aterros, evitando a contaminação da terra, da água e do ar, o que implica uma poupança significativa de recursos e de dinheiro.

Por isso, assegura Pierre Del Cos, "fazer compostagem é uma maneira ativista, ativa e eficiente de lutar contra as alterações climáticas".

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