Verdes Hábitos

Agir é preciso! As mudanças de hábitos em tempos de emergência climática. As grandes questões, os desafios, os problemas relacionados com a sustentabilidade e o ambiente. "Verdes Hábitos" na TSF com Carolina Quaresma e a Associação Ambientalista Zero. Às segundas-feiras depois das 20h00 e sempre em tsf.pt.
(Até 2021 o programa foi da autoria de Sara Beatriz Monteiro e Inês André de Figueiredo).

Microplásticos e gases de efeito de estufa. Como proteger os oceanos?

A poluição marinha, através dos plásticos, microplásticos e gases de efeito de estufa, é um dos grandes problemas ambientais dos oceanos, sendo, por isso, essencial agir para os proteger. No Verdes Hábitos desta semana, Susana Fonseca, da associação ambientalista Zero, explica quais são as principais ameaças e consequências das alterações climáticas nos oceanos e dá algumas dicas e sugestões para preservar os ecossistemas marinhos.

Os oceanos são responsáveis por 97% de toda a água que existe no planeta, cobrindo, simultaneamente, 71% da superfície terrestre. A propósito do Dia Mundial dos Oceanos, que se assinala já esta quarta-feira, dia 8 de junho, Susana Fonseca, da associação ambientalista Zero, explica a importância "fundamental" destes espaços para o planeta Terra, o clima e a "nossa existência".

"Absorvem cerca de 30% das emissões de CO2 a nível mundial, são também responsáveis pela produção de mais de 50% do oxigénio, podem absorver até 90% do calor adicional da atmosfera, que está associado ao aquecimento global. São também ainda uma fonte de alimento para milhões de espécies, têm um papel muito importante na alimentação humana. São também um espaço onde decorrem inúmeras atividades, são uma base para muito emprego, permitem também o nosso lazer, produção de energia, quer através das correntes e das marés. São também uma fonte de conhecimento dos mares que estão ainda muito subexplorados", afirma a especialista.

As alterações climáticas têm contribuído para a destruição dos oceanos, nomeadamente com o aumento da temperatura dos oceanos, que afeta as espécies marinhas, como os corais. Há também um impacto no que respeita à subida do nível do mar, "que pode levar a inundações em zonas costeiras", e à acidificação da água, "fruto das emissões excessivas de CO2, resultantes da atividade humana e que pode comprometer a integridade dos ecossistemas marinhos e a sua biodiversidade".

"Há um aviso dos cientistas que, nos próximos 20 anos, os recifes de coral se degradem muito mais rapidamente e que possam ameaçar o modo de vida de 500 milhões de pessoas que dependem deles em termos de alimento, proteção costeira e também do próprio rendimento", acrescenta.

A poluição é outra das ameaças para os oceanos, algo que decorre da agricultura, do uso excessivo de fertilizantes, dos transportes marítimos, dos derrames de petróleo e da sobrepesca, que constitui um perigo para a biodiversidade, podendo culminar na destruição dos fundos marinhos.

Plásticos, microplásticos e gases de efeito de estufa: as principais ameaças aos oceanos

Um dos grandes problemas dos oceanos e que decorre do aumento da poluição são os plásticos e os microplásticos. Estima-se que até 2050 os oceanos vão ter mais plástico do que peixe. Susana Fonseca considera que "os plásticos são uma das grandes ameaças aos oceanos". Além disso, também os microplásticos são uma preocupação que "resultam da degradação do plástico dos oceanos". "É um problema muito grave, crescente e cujas implicações não se conhecem ainda totalmente."

Susana Fonseca garante que o cenário relativamente aos plásticos nos oceanos "não é nada animador". "Todos os anos estima-se que são milhões de toneladas de plástico que entram nos oceanos, fora os que já lá estão. Estes podem ser de várias dimensões: aquilo que vemos a olho nu são os macroplásticos, como as embalagens e os têxteis. Há um risco mais escondido que é a questão dos microplásticos e que têm até cinco milímetros ou menos de tamanho. Temos aqueles microplásticos que são adicionados intencionalmente, como os cosméticos, detergentes, tintas. E temos aqueles microplásticos que, não sendo adicionados intencionalmente, resultam da nossa utilização, por exemplo, nos têxteis, quando usamos fibras sintéticas e as lavamos são muitas microfibras que se libertam todos os dias."

E há várias consequências da proliferação dos plásticos nos oceanos. Susana Fonseca destaca a degradação dos espaços das zonas costeiras e o impacto nas atividades ligadas ao lazer e ao turismo. Mas há mais: "Estamos a encontrar microplástico em tudo, na água que bebemos, nos peixes, no sangue humano, nas fezes, na própria placenta humana. Há ainda os nanoplásticos e esses ainda são mais preocupantes porque têm a capacidade de ultrapassar determinadas membranas celulares. Não nos podemos esquecer que os plásticos também têm tendência de se associarem a outros químicos perigosos presentes no oceanos e que, depois, ao serem ingeridos pelas espécies que circulam nos oceanos, vão entrar na cadeia alimentar e chegar até nós", alerta.

Os gases de efeito de estufa provenientes dos transportes marítimos também representam um problema na poluição dos oceanos.

"Os resultados mais recentes não são muito positivos. Segundo um estudo da 'Transport & Environment', as emissões dos navios de mercadorias que chegam e partem de Portugal emitem mais dióxido de carbono para a atmosfera do que as emissões associadas ao tráfego rodoviário das oito cidades portuguesas com maior número de automóveis registados", explica Susana Fonseca, referindo ainda os óxidos de enxofre, lançados pelos navios e que aumentam "muito os riscos de doenças cardiorrespiratórias e a acidificação".

"Aquilo que se prevê é que haja um aumento do transporte marítimo nos próximos anos. Se nada for feito em termos dos combustíveis ou na criação de áreas de emissões controladas, as emissões de óxidos de azoto em território marítimo podem ser superiores às emissões terrestres em 2030", acrescenta.

Como proteger os oceanos?

Susana Fonseca afirma que é preciso fazer mais do que aquilo que tem sido feito. "É importante fazer muito mais, nomeadamente, travar a entrada dos descartáveis no nosso dia a dia e no ambiente e ter uma intervenção mais marcada de tentar reduzir ao máximo e proibir práticas de pesca mais destrutivas."

Os cidadãos também podem e devem ajudar a proteger os oceanos. Susana Fonseca explica como: "Nunca abandonar lixo, evitar produtos descartáveis que tenham plástico, tentar, dentro do possível, evitar consumir produtos com microplásticos, nunca deitar nenhum produto perigoso nas sarjetas dado que tudo vai diretamente para os rios e oceanos, evitar colocar tampões ou toalhitas na sanita, evitar consumir espécies ameaçadas e procurar conhecer melhor o oceano. Se nós conhecermos melhor, valorizamos mais e podemos ter uma atitude mais preventiva, de maior proteção dos ecossistemas marinhos em algumas das nossas atividades."

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