Verdes Hábitos

Os hábitos também se mudam. No combate ao estado de emergência climática, todas as semanas damos a conhecer novas ideias para mudar velhas rotinas. Com Sara Beatriz Monteiro e Inês André de Figueiredo.
Para ouvir todas as sextas-feiras, às 18h40.

O lixo não é solução. O que fazer quando já não quer uma peça de roupa?

Uma mala que já foi umas calças ou bainhas que iam para o lixo e hoje são uma bolsa para meter à cintura. É isto que a ReCostura faz: salvar o que já não queríamos e dar-lhe uma nova vida.

A possibilidade de pegar numa peça de roupa que já não usamos e dar-lhe uma nova vida é o mote da ReCostura, um projeto que nasceu em 2017. A iniciativa acontece maioritariamente em eventos pontuais em que cada um leva as suas peças de roupa para serem transformadas em algo novo.

A Ana Sargento é uma das responsáveis do projeto e traz consigo todos os dias uma mala e uma bolsa para pôr à cintura que nasceram de peças prontas a irem para o lixo. A mala já chegou a ser umas calças, numa altura em que Ana era um "bocadinho mais gordinha". Era possível apertá-las, mas era "muito trabalhoso" e pensou que seria "muito porreiro ter uma mala feita a partir de calças de ganga". E assim foi, agora não a larga.

Já a bolsa foi feita com a junção de restos de bainhas, que normalmente não servem para nada, mas que devem guardar-se porque um dia podem ser algo novo, como foi o caso da bolsa em tons de ganga escuro onde traz os pertences.

Nem todos sabem costurar, nem todos têm uma máquina em casa, mas Ana Sargento explica o que se deve fazer para dar os primeiros passos. "Antes de colocarmos uma peça de roupa num contentor, pensar se aquela peça não devia ser outra coisa ou se alguém que nós conhecemos não a utilizaria porque os contentores funcionam, mas há tanta quantidade de roupa que depois de as pessoas que precisam ficarem satisfeitas ainda há desperdício", conta.

Assim, tudo pode ter uma segunda vida. "Podemos transformar um lençol velho ou uma fronha em guardanapos ou lenços de pano, fazer pensos higiénicos utilizáveis. Aquela peça de roupa pode ser sempre algo que precisamos nas nossas casas, no limite até um pano para limpar", exemplifica.

No fim, diz, é olhar para a peça de roupa "não como lixo ou como algo que é descartável" mas sim "como algo que tem potencial e que ainda pode ser outra coisa".

Quem não pode ir aos eventos da ReCostura ou quer começar a fazer este percurso em casa deve aprender a costurar, ter uma máquina de costura, uma boa tesoura, bons alfinetes, giz, fita métrica, "coisas muito básicas" e "experimentar, já que a peça já ia para o lixo de qualquer forma".

Caso a experiência corra mal, há ainda algo a ter em conta: "Não coloquem no lixo comum, coloquem sempre num contentor ou tentem procurar na junta de freguesia qual é a iniciativa que pode recolher aquela peça."

Quem está interessado em aprender e em transformar peças de roupa deve seguir as redes sociais e o site da ReCostura porque é por lá que se informa sobre os eventos que acontecem "com a maior regularidade possível" e quem quer ensinar e fazer parte da equipa também pode fazê-lo.

Tudo começa com pequenas mudanças...

Os pensos higiénicos e os tampões convencionais são feitos de plástico, mas há cada vez mais alternativas amigas do ambiente no mercado. O copo menstrual, os pensos reutilizáveis e as cuecas absorventes são algumas das opções à venda em Portugal.

Se quiser saber mais sobre este tema pode ouvir a entrevista da fundadora da Mind The Trash Catarina Matos ao Verdes Hábitos.

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