Verdes Hábitos

Os hábitos também se mudam. No combate ao estado de emergência climática, todas as semanas damos a conhecer novas ideias para mudar velhas rotinas. Com Sara Beatriz Monteiro e Inês André de Figueiredo.
Para ouvir todas as sextas-feiras, às 18h40.

Pagar mais por roupa, mas usá-la mais vezes. É preciso "mudar a cabeça das pessoas"

Dezenas de pessoas ligadas à moda sustentável falaram sobre o tema na Academia das Ciências, em Lisboa. Com 100 lugares presenciais e mais 900 inscrições online, Lisboa foi esta sexta-feira palco de uma conferência que discutiu a sustentabilidade no mundo da moda.

A Sustainable Fashion Business é a mais inovadora conferência internacional sobre Moda Sustentável e esteve em Portugal esta sexta-feira. Em formato híbrido, devido às atuais circunstâncias, e com muitos oradores estrangeiros à distância, foi na Academia das Ciências que se realizou o evento no âmbito da Lisboa Capital Verde Europeia 2020.

Catarina Santos Cunha é CEO da Kind Purpose e project leader da conferência, que também conta com uma exposição, e esteve à conversa com o Verdes Hábitos quando se ultimavam os preparativos.

"Há muita gente que ainda não ouviu falar sobre a sustentabilidade na moda, mas o foco são os casos práticos e Portugal", começa por explicar. As empresas nacionais estão a apostar em soluções tecnológicas e na área do hand craft para as marcas internacionais e esta conferência é uma montra, mas também o espaço certo para que as marcas do estrangeiros explicam o porquê de procurarem Portugal.

É feito um "trabalho incrível em Portugal" e "se olharmos para o mercado europeu, Portugal consegue responder de forma local às necessidades e dar uma resposta às quantidade made to order que hoje em dia se fala tanto" e com a "proximidade conseguimos que a pegada seja diminuída".

No momento de comparar a moda de autor e a fast fashion, e tendo em conta que a primeira é preferível ambientalmente, mas menos acessível, Catarina Santos Cunha prefere enaltecer as marcas "mais pequenas, responsáveis e com preços muito mais acessíveis, não o acessível do fast fashion", que estão a aparecer cada vez mais e a ganhar um espaço no mercado.

"O que é preciso mudar é a cabeça das pessoas no consumo." A responsável considera que ainda está a ser feito muito pouco nessa vertente, nomeadamente no lado social que está por detrás das marcas de fast fashion.

"Comprar mais exclusivo, ter peças mais duráveis e com um design um bocadinho diferente do fast fashion" são alguns dos benefícios que Catarina Santos Cunha vê na aposta numa moda sustentável, mas há outras dicas, entre elas "não ter problemas de repetir roupa".

Entre a venda em segunda mão e a moda sustentável é preciso procurar um "equilíbrio grande entre o ambiente, as pessoas e a economia". "É óbvio que as pessoas também têm de trabalhar, tudo isto gera empregos, mas podemos fazer as coisas melhor e de uma forma diferente: a educação começa desde o ensino e é preciso mudar um bocadinho a agulha".

É preciso educar a que se pode "pagar um bocadinho mais pelas peças, mas vão ser peças de valor e que vai durar muito mais e que vamos repetir".

A exposição presente na Academia das Ciência durante o dia foi uma "ilustração dos casos" falados na conferência, que trabalham com "empresa e indústria nacional" e pretendeu mostrar o trabalho que se faz em território nacional de forma sustentável.

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