Verdes Hábitos

Os hábitos também se mudam. No combate ao estado de emergência climática, todas as semanas damos a conhecer novas ideias para mudar velhas rotinas. Com Sara Beatriz Monteiro e Inês André de Figueiredo.
Para ouvir todas as sextas-feiras, às 18h40.

Quando o plástico que vem do mar ganha uma nova vida... artística

Ana Pêgo descobriu na praia que era preciso agir para ajudar a salvar o planeta. Daí ao projeto Plasticus maritimus, foi uma pequena onda... uma onda onde continua a navegar para acabar com o lixo no mar.

Tomar consciência de que o lixo que estava na praia não pertencia ali e de que era preciso fazer algo para travar o flagelo do plástico foi o ponto de partida para a criação do Plasticus maritimus.

Ana Pêgo, criadora do projeto que transforma o plástico em peças de arte , cresceu ao lado da praia e percebeu que algo estava errado quando se deparou com milhares de objetos levados pelo mar até à costa. Chocada com o que encontrou, decidiu começar a fazer limpezas de praias e rapidamente deu o passo para transformar o lixo em algo diferente.

Em entrevista ao Verdes Hábitos , a bióloga conta que encontra coisas muito estranhas na praia, nomeadamente objetos associados a cultos religiosos, mas também materiais muito antigos. "Aparecem pacotes de leite dos anos 70 e 80, garrafinhas de lixívia que devem ter uns 50 anos, bonecos dos anos 60 e 70", diz, realçando que pela cor e pelo tipo de material é possível perceber que são objetos antigos.

Ana Pêgo faz da luta contra o uso de plástico descartável a sua missão e refere que "não faz sentido nenhum usarmos um material espetacular, resistente e que tem uma grande durabilidade" apenas uma vez.

Além disso, aponta a gestão de resíduos como um problema. "Durante muitos anos ficávamos descansados quando fazíamos reciclagem, mas os plásticos não são todos iguais. A sua reciclagem é diferente e há coisas que são difíceis de reciclar e que não vão ser recicladas", explica.

Ana Pêgo considera que as pessoas estão mais conscientes sobre a questão dos plásticos desde janeiro de 2018, quando foi conhecida a estratégia europeia para a utilização dos plásticos, altura em que se "começou a falar muito mais sobre o assunto".

Estes movimentos e a atenção dada ao combate ao plástico têm levado ao aparecimento de "muitos movimentos de pessoas que querem ir apanhar lixo". Tornou-se uma espécie de moda, avança. Antes as crianças não podiam mexer no lixo, hoje os pais ficam orgulhosos quando as crianças participam em limpezas de praia, brinca a bióloga.

No dia-a-dia, a fundadora do Plasticus maritimus aconselha a começar a mudança por coisas pequenas e fundamentais, já que "a maior parte dos plásticos descartáveis é fácil de deixar de usar".

Das palhinhas ao tipo de material onde é embrulhada a carne e o peixe nos supermercados, passando pelas garrafas e os sacos de plástico, Ana Pêgo acredita que tudo é facilmente dispensável e que é preciso dar pequenos passos para que as atitudes se tornem hábitos.

E numa altura em que o Natal se aproxima, a bióloga deixa o alerta: "Em alturas de consumismo, temos de pensar se precisamos das coisas ou não. Estamos habituados a comprar coisas demais e a oferecer coisas demais."

PODE OUVIR AS EDIÇÕES ANTERIORES DO VERDES HÁBITOS AQUI

Outras Notícias

Outros Conteúdos GMG

Patrocinado

Apoio de

Patrocinado

Apoio de