A história das únicas fotografias da libertação dos presos políticos de Peniche

Ezequiel Santos é o único fotógrafo conhecido que captou o momento em que os presos políticos foram libertados da Fortaleza de Peniche. As cinco fotografias ficaram na sombra do conhecimento público durante 40 anos.

Na madrugada de 26 de abril de 1974, no rescaldo da Revolução dos Cravos que derrubou a ditadura, ninguém dormia. Ezequiel Santos, fotógrafo com 28 anos, também não descansou sem antes ver os rostos da liberdade. Desafiado pelos amigos, percorreu, de carro, o caminho entre Torres Vedras e Peniche, com a máquina fotográfica que comprara, já usada, a um sargento, quando serviu como militar em Moçambique.

Confessa agora à TSF que não ia "sensibilizado para esta situação toda e para toda a envolvência do 25 de Abril", porque lhe faltava consciência política. Mas, por acaso ou sorte, Ezequiel Santos fica para a história por ter testemunhado e fotografado a saída dos presos políticos da Fortaleza de Peniche, e acredita mesmo que as únicas fotografias desse momento foram as que ele tirou há 45 anos e que ficaram guardadas até há bem pouco tempo.

Aos 73 anos, vai poder ver o preto e branco das suas fotografias a partir do dia 25 de Abril no espaço onde vai nascer, em Peniche, o Museu da Resistência e Liberdade. Ezequiel Santos recupera memórias daqueles disparos que foram também um apelo de libertação.

Das fotografias captadas, destaca a de "um preso com as mãos levantadas no ar", "símbolo de satisfação" no interlúdio de "um drama fantástico". Guardadas durante 40 anos, sem verem a luz do reconhecimento, foram apenas divulgadas nos 40 anos da libertação de 1974. Já passaram mais cinco, e hoje Ezequiel Santos não tem dúvidas: são artefactos que pertencem a todos, porque ajudam a contar "um assunto público, que diz respeito a toda a gente".

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