Documentos do Panamá: Manuel Vilarinho, Ilídio Pinho e Luís Portela envolvidos

De acordo com o Expresso há mais de 240 portugueses nas 'offshores' do Panamá. O jornal acrescenta que o Panamá ajudou a esconder um 'saco azul' do Banco Espírito Santo.

A notícia consta da primeira página do jornal, divulgada, esta sexta-feira, no programa da SIC Notícias "Expresso da Meia Noite", no âmbito da investigação do Consórcio Internacional de Jornalistas, do qual o jornal português e a TVI fazem parte, num dossier que ficou conhecido como 'Papéis do Panamá'.

A jornalista Margarida Serra resume os principais factos das últimas notícias sobre este caso

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Luís Portela é o antigo presidente da farmacêutica Bial, Manuel Vilarinho é empresário e antigo presidente do Benfica e Ilídio Pinho é também um conhecido empresário, que tem a Fundação homónima sediada no Porto.

A edição online da TVI, deste sábado, transcreve partes das respostas dos visados quando contactados pelos jornalistas que investigaram o caso do documentos do Panamá. De acordo com o canal de televisão , Manuel Vilarinho disse que "já estava à espera" que lhe ligassem, atendendo o telefone e gracejando com o assunto: "Pois é claro que o meu nome aparece nos Papéis do Panamá. Eu sei que estou lá, sabe o Ministério Público, e sabe o país todo".

O antigo presidente do Benfica (2000 a 2003) diz que teve uma offshore, "mas que isso não é crime", acrescentando que a constituiu porque cometeu "um pecado que está no DCIAP" por causa "de um problema grave" que teve com o Banco Espírito Santo.

"Paguei a bula, como na sexta-feira santa, para poder comer carne ao domingo. Não tenho rabos de palha e sou um cidadão cumpridor. Já paguei tudo o que devia", disse.

Já o presidente não executivo da Bial, Luís Portela, não quis entrar em pormenores sobre este assunto, mas lembrou: "A Bial tem uma filial no Panamá, a partir de onde coordenamos a nossa atividade nos diferentes países da América Central onde operamos. É um negócio que se tem vindo a desenvolver ao longo dos anos. No que diz respeito a questões fiscais, devo dizer-lhe que quer eu, quer Bial cumprimos escrupulosamente os preceitos aplicáveis".

Ilídio Pinho, questionado sobre se tinha constituído alguma offshore no Panamá para si ou para o seu grupo empresarial, respondeu. "Não, de todo! Absolutamente zero!".

Na primeira página da edição deste sábado, o Expresso destaca também que o "Panamá ajudou a esconder um 'saco azul' do Banco Espírito Santo durante 21 anos" e que "Pela Espírito Santo Entreprises terão passado mais de 300 milhões de euros".

O jornal destaca igualmente na primeira página o gestor de fortunas português Jorge Cunha, que "admite contactos com um representante de Isabel do Santos", filha do Presidente de Angola, e que ex-ministros portugueses "também fazem parte da sua lista de clientes".

A TVI já tinha avançado no "Jornal da Noite" de sexta-feira que ex-ministros e políticos portugueses podem estar envolvidos no escândalo 'Papéis do Panamá' através do gestor de fortunas Jorge Humberto Cunha Ferreira.

Jorge Humberto Cunha Ferreira, cliente número 37.356 da Mossak Fonseca, representava "Pessoas Politicamente Expostas" de Portugal, África e América Latina.

Uma investigação realizada por uma centena de jornais em todo o mundo sobre 11,5 milhões de documentos revelou bens em paraísos fiscais de 140 responsáveis políticos ou personalidades públicas. O conjunto de documentos, denominados "Papéis do Panamá", provém da empresa de advogados panamiana Mossack Fonseca.

Segundo o Consórcio Internacional de Jornalistas de Investigação, que reuniu para este trabalho 370 jornalistas de mais de 70 países, mais de 214.000 entidades 'offshore' estão envolvidas em operações financeiras em mais de 200 países e territórios em todo o mundo.

A informação está disponibilizada num mapa-mundo, no sítio deste jornal Irish Times.

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