Acordo Ortográfico: "A política é incompetente"

A Academia das Ciências avança em janeiro com o que chama de "Subsídios para o Aperfeiçoamento do Acordo Ortográfico". O presidente da Academia quer acabar com o que considera ser "uma trapalhada".

Em entrevista ao jornal Público, o presidente da Academia das Ciências de Lisboa anuncia que já no início do ano será publicado um documento para aperfeiçoar o Acordo Ortográfico.

Artur Anselmo sublinha que vai fazer uma sugestão. Depois fica à espera de ser chamado para reuniões. O professor diz que a "política é incompetente" nesta matéria, por isso, não deve meter o nariz onde não é chamada e acrescenta que a Ciência não pode passar ao lado.

A nova proposta para o Aperfeiçoamento do Acordo Ortográfico de 1990, que vai ser apresentada nem janeiro, vem tentar corrigir o que o Presidente da Academia das Ciências considera serem "lacunas terríveis" e "situações dúbias".

O documento refere que qualquer tentativa de uniformização ortográfica nos diferentes países que usam a língua portuguesa é uma utopia. E essa utopia, diz Artur Anselmo, é uma falta de respeito pelas diferenças naturais que existem nos vários países.

A Academia das Ciências defende por isso um mesmo sistema - o da Língua Portuguesa - mas com várias normas, consoante os diferentes países. O professor considera até que o que deveria existir era uma convenção em vez de um acordo, até porque uma convenção pode ser alterada a qualquer momento.

Nesta entrevista ao jornal Público, Artur Anselmo diz que a proposta de aperfeiçoamento que vai ser apresentada pela Academia das Ciências é apenas uma sugestão. Depois esperam ser chamados para debater a proposta.

Artur Anselmo lembra que qualquer decisão terá de passar pelo poder político e é preciso que haja interesse. E, sobre isso, o professor mostra-se frustrado com o facto de não haver ninguém no Governo aberto a esta mudança.

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