Fabrióleo contesta ordem de encerramento com trabalho da Universidade Nova

A equipa de investigadores independentes da Universidade Nova, liderada por Joanaz de Melo e que está a trabalhar para a empresa, considera que a poluição provocada pela Fabrióleo é muito reduzida.

A Fabrióleo contesta a ordem de encerramento e um dos argumentos é que está a trabalhar com uma equipa de investigadores independentes da Universidade Nova que já terá encontrado mais de 50 fontes de poluição naquela zona. Ao que a TSF apurou, a fábrica contratou essa equipa em 2016, que é coordenada por João Joanaz de Melo, professor e dirigente da associação ambientalista GEOTA.

Num relatório do ano passado, a equipa afirma que "nesta fase apenas podemos afirmar que, face a toda a documentação consultada e a observação no terreno da fábrica e do curso do Ribeiro do Serradinho, a Fabrióleo terá uma influência mínima na poluição" do Ribeiro do Serradinho e da Ribeira da Boa Água".

O estudo conclui que "encontrámos indícios de muitas outras fontes poluentes na região, mas conclusões definitivas sobre esta matéria dependem de um estudo detalhado à escala da bacia hidrográfica, que está fora do âmbito do presente relatório".

O relatório coordenado por Joanaz de Melo diz que são necessárias mais análises na bacia hidrográfica, mas do trabalho feito até ao momento não encontrou qualquer evidência de que a poluição no Ribeiro do Serradinho e na Ribeira da Boa Água tenha influencia significativa da Fabrióleo. Pelo contrário, acrescenta há outros poluidores na zona, provavelmente mais graves.

Joanaz de Melo afirma que, por falta de caudal de água, não tem sido possível fazer testes que permitam dar mais detalhes e recusa comentar os argumentos das autoridades para defenderem o fecho a Fabrióleo.

O relatório desta equipa também refere que é mais uma questão política o facto de a fábrica construída não ter licenças para estar em zona de reserva ecológica nacional, reserva agrícola nacional e no domínio público hídrico, além de ser acusada de ter construído ilegalmente a nova ETAR. "Há aspetos do processo que não estão completos, mas a fábrica tem uma licença de laboração e de descarga".

Joanaz de Melo defende que, apesar de este trabalho ser pago pela Fabrióleo, não trabalha para a empresa e a empresa não tem influência nas conclusões dos relatórios. Quanto ao facto de ser um conhecido ambientalista, isso é outra coisa, defendendo que é ambientalista nas horas vagas e que este trabalho é feito em nome da Universidade e que não tem qualquer relação com o que faz nas horas vagas. Joanaz de Melo admite ainda que não tem prazer em trabalhar para indústrias com problemas de poluição, mas "é o país que temos".

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