Floresta portuguesa vive uma "epidemia de árvores"

Livro fala num "alastramento desgovernado de árvores", nomeadamente eucaliptos, potenciando os fogos. E sublinha relações entre a indústria das celuloses com dezenas de ex-governantes.

"Portugal em chamas: como resgatar as florestas": é este o livro de João Camargo, investigador e engenheiro do ambiente, e Paulo Pimenta de Castro, engenheiro florestal e presidente da Associação de Promoção ao Investimento Florestal, que faz o retrato negro do estado da floresta portuguesa.

Contestando a ideia de que o que aconteceu em 2017 é inevitável, os autores fazem um diagnóstico que consideram preocupante.

Um dos pontos mais criticados é a expansão descontrolada dos eucaliptos, que já são desde 2010 a espécie mais comum em Portugal, ocupando cerca de 1 milhão de hectares e 9% de todo o território nacional. Árvores como as azinheiras e o pinheiro-bravo têm perdido espaço para o eucalipto.

"O campeão mundial do eucalipto"

Paulo Pimenta de Castro adianta que os números que existem mostram que, em termos absolutos, Portugal é o quinto país do mundo com mais eucaliptos e, de longe, tendo em conta o tamanho do país, aquele que tem mais área ocupada desta árvore oriunda da Austrália.

Cerca de 9% do território nacional está ocupado por eucaliptos, perto de três vezes mais que o segundo e terceiro países com mais superfície ocupada por esta espécie: Uruguai (menos de 3%) e Índia (pouco mais e 2%).

Ou seja, sublinham os autores, Portugal é recordista mundial do eucalipto, numa expansão que, defendem, está associada ao crescimento da área ardida no país.

A "epidemia de árvores"

Adotando um termo usado nos Estados Unidos da América, os autores concluem que Portugal vive uma "epidemia de árvores" com um "alastramento desgovernado de espécies, caracterizado por uma inexistente ou débil capacidade técnica, a par de capacidades financeira e comercial desajustadas", exigindo fundos públicos que ajudem a ordenar o território florestal.

Dezasseis governantes com passagem pela indústria das celuloses

Os autores apontam ainda uma forte influência da indústria das celuloses nas decisões políticas, fazendo contas aos ex-governantes que passaram por essas empresas.
O livro conclui que mais de metade de todos os governos constitucionais tiveram 16 ministros ou secretários de Estado que passaram por cargos nas celuloses, naquilo que identificam como um sistema de "portas-giratórias" entre negócios e política que terá influenciado as políticas do Estado nesta área a favor da expansão do eucalipto.

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