Avisos sonoros para evacuação são obrigatórios junto a barragens. Oito já cumprem a lei

Das 30 barragens que a EDP tem em Portugal, apenas oito têm alertas sonoros para avisar as populações que vivem nas proximidades de eventuais acidentes ou ruturas. Até 2024, a empresa conta ter este sistema na maioria das barragens, como manda a lei.

Na barragem do Caldeirão, na Guarda, está a ser ultimada a instalação do plano de emergência, que conta com avisos sonoros, mas também com um conjunto de locais onde as populações se podem refugiar das águas, em caso de acidente.

São cinco as antenas que foram colocadas a jusante da albufeira e que irão emitir, em caso de acidente, alertas sonoros às populações que vivem na chamada zona de auto salvamento, em que são as pessoas que terão que garantir a sua própria segurança, após serem avisadas para a existência de alguma ocorrência.

Há três tipos de alertas sonoros. O primeiro é o de descarga ou cheia significativa, que se prolonga "cerca de dois minutos e de forma contínua". "As pessoas, ao ouvirem um sinal deste género, [deverão afastar-se] do leito do rio e manter-se atentas à evolução da situação", explicou à TSF Manuel Oliveira, responsável pela manutenção e segurança das barragens da EDP em Portugal.

Já em caso de acidente, como uma rutura, as antenas irão transmitir um alerta sonoro de forma "intermitente, com paragens durante dois minutos". Este sinal de evacuação é composto por emissões sonoras consecutivas de dois segundos, separadas por intervalos de três segundos de silêncio.

Por último, o sinal de fim de aviso de evacuação é composto por um som contínuo de 30 segundos.

Na Barragem do Caldeirão, o sistema já está montado, mas, quando a TSF esteve no local, foi feito um teste numa cabine, para não causar o pânico junto da população.

Na opinião de Manuel Oliveira, os avisos sonoros emitidos pelas sirenes são a medida mais eficaz para alertar as pessoas.

A EDP ainda ponderou lançar alertas através das redes de telecomunicações, mas como as aldeias nem sempre têm sinal e as pessoas ficariam "vulneráveis ou dependentes de um aparelho (telemóvel)", esta solução acabou por ser abandonada.

No Caldeirão, o plano de emergência estará operacional até ao verão. Até lá, serão feitas ações de sensibilização e até simulacros junto da comunidade.

A EDP já instalou os alertas sonoros em oito aproveitamentos hidroelétricos, numa operação que arrancou em 2014, na Barragem do Alto Ceira. Santa Luzia, Ribeiradio, Ermida, Baixo Sabor, Feiticeiro, Foz Tua, também já possuem este sistema, que este ano será implementado em Alto Linhoso e Touvedo. Até 2024, os planos de emergência internos serão alargados a mais 17 infraestruturas.

"Por força do regulamento de segurança de barragens, em todas as barragens que sejam classificadas como da classe 1 - ou seja, aquelas em que o risco a jusante (abaixo da barragem) é elevado - é necessária a realização de um plano de emergência interna. A EDP já tem implementados, em oito barragens, e até ao final deste ano ficará com dez. Até 2024, todas as 26 barragens que caem nesta classe 1 ficarão com um plano de emergência interno instalado", disse Manuel Oliveira.

À TSF o responsável garantiu ainda que em Portugal as barragens são seguras, afastando o risco de acidentes ou ruturas como aconteceu recentemente em Brumadinho, no Brasil, num acidente que matou cerca de 200 pessoas.

Notícia atualizada às 13h50 de dia 12 de março, depois de informação transmitida pela EDP de que não está obrigada a cumprir um prazo para a instalação dos sistemas sonoros em causa.

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