Ambiente

Não é piada: atenção aos bifes, ao pão e até à roupa para poupar água

Dois em cada três portugueses não fazem nada para poupar água. Governo lança campanha inovadora para que passemos das palavras aos atos.

Para termos um quilo de bife de vaca no prato, o planeta gasta 15 mil litros de água. E para produzir um quilo de pão, a água que se gasta também é muita. Os exemplos são avançados pelo Secretário de Estado do Ambiente, numa altura em que o Governo prepara uma campanha inovadora para levar os portugueses a pouparem, finalmente, o precioso líquido.

Carlos Martins detalha à TSF que no fim da última seca, que afetou o país até março e durante mais de um ano, a Águas de Portugal fez um inquérito que revelou dois factos que parecem contraditórios, numa espécie de 'olha para o que digo e não para o que faço'. Cerca de 88% dos portugueses acreditam que a água é um bem fundamental que temos nas nossas casas, mas 66% admitem que não fazem nada para a poupar.

A ideia, explica o governante, não é que os portugueses cortem na carne, no pão ou em qualquer produto agrícola que consome imensa água, mas que pensem, por exemplo, nas suas opções quando vão às compras e, sobretudo, que evitem o desperdício não apenas da água, diretamente, mas de tudo o resto que, sem nos apercebermos, também gasta água - como a produção da roupa que vestimos ou dos carros onde nos deslocamos.

"Poupar água é um trabalho não apenas do governo, mas de 10 milhões de portugueses", defende Carlos Martins.

Seca acabou, mas vai voltar

O Secretário de Estado do Ambiente acrescenta que nas últimas duas décadas têm-se feito muitas campanhas com algum sucesso porque levaram as pessoas a aperceberem-se da importância de poupar água, mas agora é preciso apostar em levá-las a mudarem, mesmo, os seus comportamentos.

A nova campanha, que deverá arrancar ainda este verão, é mais uma peça do trabalho da Comissão da Seca, que nasceu há um ano quando o país enfrentava um problema sério com muitas barragens quase vazias.

Depois de mais de um ano em que grande parte do país esteve em situação de seca severa ou extrema, a falta de água resolveu-se com as chuvas que começaram a cair em março e hoje as barragens estão cheias, acima da média para a época do ano.

Carlos Martins salienta, contudo, que o Governo não está parado e a Comissão da Seca continua atenta e a desenvolver medidas de médio e longo prazo que preparem o país para uma nova seca que, é inevitável, vai reaparecer num ano que, com as alterações climáticas, não deverá ser muito distante.

O Governo está, por exemplo, a avaliar se vale a pena construir mais barragens, um estudo que só deverá estar fechado a meio do próximo ano.

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