Sado

Não há psicólogo de golfinhos, mas biólogos poderão parar as dragagens em Setúbal

Biólogo que vai fiscalizar obra explica que dragagens na entrada do Sado vão mesmo obrigar a dar formação a quem opera as dragas para que percebam quando é que os animais estão em perigo.

Os biólogos que vão estudar o comportamento dos golfinhos durante as dragagens da entrada do rio Sado, perto de Setúbal, vão dar formação aos comandantes dos navios envolvidos na obra e terão mesmo o poder de suspender os trabalhos caso se detete perigo para os animais.

A explicação é dada à TSF pelo biólogo do Centro de Ciências do Mar e do Ambiente (MARE) que vai coordenar a equipa de seis pessoas que vai tentar minimizar o impacto para os golfinhos das polémicas grandes dragagens para que o Porto de Setúbal possa receber navios de maior dimensão.

Manuel Eduardo dos Santos, que há duas décadas estuda os golfinhos do Sado, admite que para a ecologia e conservação da fauna o ideal era que as obras não fossem feitas, mas se têm de ser feitas é bom que existam biólogos a acompanhá-las, daí terem aceitado o desafio, para minimizar os riscos.

Formação de quem vai tirar areia do rio

Um dos pontos será a formação de comandantes e de todos os operadores dos navios e das dragas para que percebem "os tipos de perigosidade para os animais da operação das dragas pois existe muita literatura sobre o assunto".

Depois serão feitas observações em terra e no mar para garantir que não existe qualquer perigo para os golfinhos.

Caso esse perigo exista, está previsto que os biólogos possam pedir a suspensão das dragagens, sendo que esse foi um ponto aceite pelo promotor, estando ainda prevista a monitorização com vídeo do fundo do estuário.

Manuel Eduardo dos Santos admite que o volume de areia a dragar "é enorme", mas todos os anos há dragagens neste estuário, apesar de "não podermos garantir que não há perigo para os golfinhos".

No entanto, o biólogo sublinha que não acreditam que os animais desaparecerão da região por causa desta obra e a presença de especialistas é muito importante, destacando que o dono da obra, a cargo do Porto de Setúbal, não quer qualquer mortalidade dos golfinhos até porque sabe que isso teria enormes consequências na sua reputação, sendo preciso "conciliar os interesses ecológicos e económicos", "tentando que não afete demasiadamente a ecologia da região".

Não há nenhum psicólogo de golfinhos

Questionado pela TSF, o biólogo do Centro de Ciências do Mar e do Ambiente explica, contudo, que a equipa de seis pessoas que lidera não vai incluir nenhum psicólogo de golfinhos, ao contrário do que tinha dito a Ministra do Mar, ao Expresso , na semana passada.

"Temos uma equipa de biólogos especialistas no comportamento de golfinhos e mergulhadores, não havendo nenhum psicólogo, ao contrário do que tem circulado", detalha.

Manuel Eduardo dos Santos admite que não sabe se foi uma piada da ministra ou um lapso porque o Centro de Ciências do Mar e do Ambiente está sediado no ISPA, ou seja, no Instituto Universitário de Ciências Psicológicas, Sociais e da Vida.

Recorde-se que está marcada para este sábado uma manifestação em Setúbal contra as dragagens. As associações ambientalistas que a organizam, além de vários grupos locais de moradores e até pescadores, acusam a Administração dos Portos de Setúbal e Sesimbra de querer "transformar Setúbal num porto de águas profundas como o porto de Sines, retirando ao rio Sado 6,5 milhões de metros cúbicos de areia", colocando em risco "a sobrevivência da já reduzida e protegida colónia de golfinhos roazes do Sado".

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