Sexta extinção em massa de espécies na Terra está a ser acelerada por um fungo

O fungo Batrachochytrium levou a um "declínio dramático" da população de anfíbios e é responsável pela extinção de 90 espécies nos últimos 50 anos. A globalização está a acelerar o processo.

Nativo da Ásia, é um predador invisível responsável pela redução dramática de espécies de anfíbios. De acordo com Ben Scheele, investigador australiano, um simples fungo está a provocar "uma doença muito virulenta, que afeta a vida selvagem e está a contribuir para a chamada sexta extinção em massa de espécies na Terra".

Os cientistas descobriram que o Batrachochytrium (Bd) levou a um "declínio dramático" da população de anfíbios em mais de 500 espécies, e conduziu mesmo à extinção de 90 delas desde os anos 60 do século passado. Segundo um estudo publicado na revista Science , a doença é causada por quitrídio, a espécie invasora mais nefasta por que é conhecido, e que causou a maior perda da biodiversidade associada a uma enfermidade na história do planeta.

América do Sul, América Central e Austrália são as regiões mais afetadas por esta pandemia que já atinge mais de 60 países, de acordo a informação divulgada à imprensa pela Universidade Nacional da Austrália, que liderou o estudo.

Os cientistas recolheram a informação disponível sobre a doença e enfatizam a necessidade de regular o comércio internacional de espécies e reforçar a biossegurança nas fronteiras, porque estão identificadas "várias espécies com alto risco de desaparecer nas próximas duas décadas".

"Já perdemos algumas espécies realmente surpreendentes. Saber quais as espécies em risco pode ajudar a direcionar as futuras investigações para o desenvolvimento de ações de conservação", explica Ben Scheele, daquela universidade australiana.

Fungo "multirresistente"

De acordo com este cientista, a movimentação de animais e plantas pelo mundo, aumenta a presença de patógenos potencialmente perigosos em novas áreas. "A globalização e o comércio de espécies selvagens são as principais causas da propagação desta pandemia global", realça.

O fungo Bd é originário da Ásia, onde as espécies locais não parecem ser afetadas pela enfermidade que causa. Um estudo anterior - também publicado na revista Science - descobriu, graças ao sequenciamento do genoma, que a sua origem está na Península da Coreia.

É realmente difícil remover o fungo de um ecossistema, em parte porque há espécies que não são afetadas pela doença. "Por um lado é bom ter espécies resistentes, mas por outro lado, isso significa que elas carregam o patógeno e agem como reservatórios permanentes do fungo", acrescenta o cientista.

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