Região do Douro mais vulnerável a cheias

Período de cheia do Douro acontece 15 dias mais cedo do que há 50 anos. A mudança tem impacto na agricultura e gestão da água disponível, e acontece devido às alterações climáticas.

A alteração ao período de cheia nos grandes rios da Europa pode levar a mudanças na forma como é gerida a água para as populações e atividades económicas. A conclusão é de um estudo publicado na semana passada pela revista Science.

Rui Perdigão é professor e investigador na Universidade Técnica de Viena, a universidade que coordenou este projeto europeu.

Para o investigador português, a região do rio Douro, em especial o distrito de Vila Real, é uma das zonas da Europa onde as alterações são mais evidentes. O estudo indica que, em média, o período de cheia acontece entre 8 a 14 dias mais cedo do que o registado na década de 1960 do século passado.

Os dados presentes no estudo sobre o período de cheia junto aos rio europeus foram recolhidos ao longo de 50 anos. Foram analisados registos de 38 países europeus.

Rui Perdigão considera importante que as entidades das regiões mais afetadas conheçam o trabalho dos investigadores e os dados que podem ajudar a reajustar a gestão da água e agricultura.

O investigador português diz que futuras alterações são imprevisíveis, e que os dados agora publicados devem ser utilizados para criar ferramentas para acompanhar os efeitos nos próximos anos. Rui Perdigão defende ainda a partilha de dados entre académicos e os setores da agricultura e gestão da água.

Chove mais cedo na região noroeste da península Ibérica, desde 1960, o que leva os terrenos junto às margens a atingir o limite de absorção mais rapidamente. Se a principal época de precipitação acontecia, habitualmente, entre o final de novembro e o final de maio, nas últimas cinco décadas, as chuvas chegam a partir do final de outubro e até ao mês de março, em Portugal.

Segundo os investigadores, a chegada antecipada da precipitação e tempestades de inverno, levam a problemas de saturação dos solos e aumento do risco de cheias. Situações que provocam danos nas plantações, mas também limitam a capacidade dos solos para manter água.

O nordeste da Europa, entre Portugal e as ilhas britânicas, os efeitos das alterações climáticas levam à antecipação do período de cheia no calendário. O efeito é inverso nas regiões do mar do norte, chegando ao início da primavera. Em Itália ou na região da costa Brava, entre Barcelona e Valência, os efeitos levam também ao retardar dos períodos de cheias, entre 8 a 15 dias.

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