Ria Formosa ainda é a maior maternidade de cavalos-marinhos do mundo?

A espécie está a ser destruída por fatores ambientais, mas sobretudo pela pesca furtiva. O mercado asiático paga a peso de ouro este produto, que é utilizado como afrodisíaco.

"Este é o cavalo-marinho de focinho comprido", explica o investigador Miguel Correia mostrando o animal. É um dos cerca de mil exemplares que já nasceram nos muitos aquários situados numa pequena sala do Centro de Investigação do Ramalhete da Universidade do Algarve.

Aqui faz-se a reprodução de duas espécies de cavalos-marinhos: os de focinho comprido e os de focinho curto.

Em tempos, a Ria Formosa foi o maior habitat de cavalos-marinhos do mundo. Em tempos. Agora os investigadores já não têm tantas certezas de que assim seja.

"As pessoas, quando iam para a praia, diziam que encontravam cavalos-marinhos à superfície, era uma coisa comum de se ver". Mas, atualmente, Miguel Correia lamenta não poder "dizer seguramente que é a maior população de cavalos-marinhos de todo o mundo".

Além do desaparecimento das pradarias marinhas (o habitat da espécie), o barulho e a ancoragem das embarcações na Ria Formosa, talvez a maior causa da destruição da espécie seja a pesca furtiva.

Para dissuadir eventuais pescadores ilegais, Miguel Correia participou, juntamente com a Marinha e o Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF), numa ação de fiscalização na Ria Formosa, há cerca de duas semanas.

Não foi apanhado nenhum pescador, mas quem aposta neste mercado é pago a preço de ouro. "Não vou dizer quanto, pode aliciar outros pescadores para estes comportamentos, mas compensa vendê-los" ao mercado asiático.

Quer seja como afrodisíaco, quer seja para curar eventuais doenças, o certo é que os cavalos-marinhos são muitos procurados.

Os investigadores querem agora avançar com novos estudos para perceber que comunidade ainda existe na Ria Formosa a também com atividades de sensibilização.

Para alguma iniciativas, contarão com o financiamento da Fundação Oceano Azul e do Oceanário mas para outras ainda não há verbas.

No centro de Investigação do Ramalhete, os dois investigadores, Miguel Correia e Jorge Palma, estão desde 2007 a tentar reproduzir cavalos-marinhos em cativeiro. No primeiro ano de experiência, a mortalidade foi de quase 100%.

Depois de muitas tentativas, começaram a ter sucesso. "No terceiro ano, já conseguimos 60% de sobrevivência e foi sempre aumentando até à data".

A investigação tem tido muito sucesso com o cavalo-marinho de focinho curto que, ao fim de 3 meses, consegue reproduzir-se.

Os cavalos-marinhos nascem com cerca de 1 centímetro apenas e atingem cerca de 10-11 centímetros.

Por enquanto, os investigadores ainda não equacionam o repovoamento no meio ambiente com os exemplares criados em cativeiro.

Miguel Correia defende que devia existir uma "zona tampã"o, um "santuário do cavalo-marinho" na Ria Formosa. "Quando arranjarmos uma zona de proteção exclusiva e, se houver necessidade de repovoamento, nós temos as ferramentas para o fazer".

O investigador salienta que "seria um desperdício de recursos estar a libertar cavalos-marinhos para depois serem apanhados por pescadores".

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