"No meu depósito não!" Sabia que o gasóleo contém óleo de palma?

A associação ambientalista ZERO associou-se à campanha europeia #Not ln My Tank, contra uso de óleo de palma no gasóleo.

A associação ambientalista ZERO associou-se esta quarta-feira a uma campanha europeia contra a utilização de biodiesel à base de óleo de palma no gasóleo dos postos de abastecimento, que em Portugal este ano atingiu 7632 metros cúbicos.

Um inquérito europeu que envolveu 4500 cidadãos em nove países, realizado pela consultora de mercado Ipsos, concluiu que 82% dos inquiridos não estavam conscientes do facto de que o gasóleo contém biodiesel à base de óleo de palma.

A grande maioria dos europeus desconhecia que abastece o depósito do seu veículo a gasóleo com óleo de palma incorporado na bomba de combustível, mas ao saber deste facto declarou a sua oposição, situação com que a Zero se afirmou hoje solidária e que a levou a juntar-se à campanha pan-europeia #Not ln My Tank ("No meu depósito não"), que será lançada na quarta-feira em Bruxelas.

No inquérito, quando questionados sobre se apoiariam medidas para acabar com o apoio político e os subsídios para a utilização de óleo de palma na produção de biodiesel na Europa, 69% são favoráveis à mudança, apenas 14% são contra e 16% não têm opinião sobre o assunto.

Em Portugal, durante o ano de 2017 de um total de 327 mil metros cúbicos de matérias-primas utilizadas para a produção de biodiesel, 42% corresponderam a óleos vegetais (de colza, soja e palma), sendo os restantes 57% materiais residuais, como óleos alimentares usados ou gorduras animais.

Este ano, Portugal utilizou 7632 metros cúbicos de óleo de palma exclusivamente para a produção de biodiesel, cerca de 2,4% de toda a matéria-prima utilizada.

Para a ZERO, a política europeia de promoção de biocombustíveis "resultou num fracasso, porque não cumpriu todos os seus pressupostos", pois "não contribuiu para reduzir as emissões de impacto climático nos transportes", nem "para melhorar a segurança energética e apoiar os agricultores".

A ZERO diz ainda que essa política contribuiu para "graves impactos ambientais e sociais em países em vias de desenvolvimento, que são atualmente os grandes produtores de (matérias primas para) biocombustíveis".

Na opinião do presidente da ZERO, Francisco Ferreira, "dado que Portugal utiliza uma quantidade limitada de óleo de palma no setor dos transportes, está na linha da frente na eliminação total do uso insustentável deste combustível".

Uma coligação internacional de associações de defesa do ambiente provenientes de vários países, incluindo a ZERO, lançou uma campanha para apelar à Comissão Europeia para que concretize a eliminação progressiva do óleo de palma na produção de biodiesel até 1 de fevereiro de 2019.

Segundo dados avançados pela ZERO, a expansão do óleo de palma para alimentar os veículos automóveis na Europa tem como consequências a desflorestação e a drenagem de turfeiras no sudeste da Ásia, considerando que "o biodiesel produzido a partir do óleo de palma é três vezes pior para o clima do que o gasóleo fóssil".

No ano passado, 51% do óleo de palma usado na Europa acabou nos depósitos de carros e camiões, adianta a associação, expressando que "os condutores europeus são os principais consumidores (embora não conscientes) de óleo de palma na Europa".

A Diretiva Europeia das Energias Renováveis foi introduzida inicialmente em 2009, para acelerar a utilização de energias renováveis, como a solar e a eólica. No setor dos transportes, esta Diretiva promoveu o uso de culturas alimentares, como os óleos de palma, colza e soja para a produção de biocombustíveis.

O biodiesel produzido a partir de óleo vegetal virgem é o biocombustível mais popular e mais barato do mercado europeu, representando cerca de 75% do mercado em 2017.

Para fins de contabilidade climática, os biocombustíveis são considerados como fonte de energia "emissões zero", o que já motivou vários apelos da comunidade científica e da sociedade civil para que esta classificação seja revista.

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