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Hélder Pechorro alertava os vizinhos para terem os terrenos em volta das habitações limpos. O fogo podia vir. E acabou por chegar no dia 15 de outubro de 2017. Na freguesia de Avô, concelho de Oliveira do Hospital, os habitantes estavam reunidos num mangusto.
"A banda estava a tocar no coreto, o pessoal estava no "comes e bebes". E aparecem fugidos talvez 10 carros do lado de Benfeita. Pessoas amedrontadas, cheias de medo. Disse-lhes que aqui estavam em segurança. Mas elas depois disseram: tu não sabes o que aí vem", recorda Hélder Pechorro.
O pior confirmou-se. O forte vento que se fazia sentir fez com que as chamas descessem rapidamente as encostas daquela localidade. Hélder só teve uma solução: fugir. "Isto eram 17h30/18h da tarde e depois voltei por volta da meia-noite e vi que a casa tinha ardido".
O empresário, que sempre viveu em Avô, considera que "na base disto tudo está uma mentalidade capitalista de lucro fácil e imediato, sem pensar em consequências que transformou a floresta, primeiro em pinhais e depois em eucaliptais, e que deu aso a isto tudo", alertando para a falta de estratégias, que são da responsabilidade do Governo.
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A história de Hélder Pechorro é uma das " 15 memórias do fogo" , o projeto da autoria de Tiago Cerveira e de Rodrigo Oliveira, ambos beirões, que foi realizado sem qualquer apoio. O objetivo dos autores é não deixar que o país esqueça a tragédia e também dar voz aos afetados pelos incêndios de 15 de outubro 2017.
O vídeo apresentado foi gravado em junho deste ano.

