As pegadas de Zeca Afonso em Coimbra

Zeca Afonso morreu há 30 anos, a 23 de fevereiro de 1987, em Setúbal, vítima de esclerose lateral amiotrófica. Uma doença que leva à perda gradual da força e coordenação muscular, progressiva e fatal.

José Afonso nasce em Aveiro em 1929 e chega a Coimbra com apenas 11 anos, onde faz o liceu e também cursa na universidade. Mas, a ligação de Zeca Afonso a Coimbra fica sobretudo marcada pela sua irreverência em relação às tradições académicas, e também pelo percurso musical que faz durante as mais de duas décadas que viveu na cidade, e o contributo que dá à canção de Coimbra.

O jornalista Miguel Midões foi conhecer os passos de Zeca Afonso em Coimbra

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Em cima da secretária do Orfeon Académico de Coimbra, José Miguel Batista, antigo orfeonista, coloca-nos vários recortes de jornais, e ao lado, em destaque, o vinil com a Balada de Outono. "Ainda viajei com ele quando tinha 16 anos, era o Zeca orfeonista. Estava longe de saber que mais tarde ia seguir as pegadas dele".

Seguiu-o como orfeonista que Zeca também foi, e na canção de Coimbra... "O Zeca tinha uma voz relativamente pequena, mas muito bem timbrada, e com um vibrato bonito, nem muito voie de chèvre, nem muito prolongado. Era um homem que tinha muita sensibilidade, um ouvido e uma cultura, que conseguiram fazer dele, além de simples orfeonista, solista do Orfeon Académico de Coimbra".

Zeca Afonso cantou no Orfeon Académico de Coimbra, e é ainda hoje cantado, como confirma André Leite, o atual presidente. "Ainda hoje se canta Zeca Afonso, todos cantam e conhecem. Pensámos em fazer-lhe esta homenagem porque é um marco na história do Orfeon e da música de Coimbra".

E a homenagem a Zeca Afonso, em formato concerto, decorre no dia 17, no Teatro Académico Gil Vicente. "Zeca Afonso: 30 anos de saudade". "As peças mais marcantes do Zeca Afonso vão ser interpretadas, como a Balada de Outono, Vejam Bem ou Índios da Meia Praia".

Deixamos o Orfeon Académico e seguimos as pegadas de José Afonso em Coimbra... porta com porta fica a Tuna Académica, onde Zeca também tocou. Deixamos o edifício da Associação Académica, atravessamos a Praça da República e subimos. Passamos em frente ao antigo Liceu D. João III, onde estudou e vamos encontrar Deolinda Portelinha. É a coordenadora do Núcleo de Coimbra, da Associação José Afonso.

Falamos na Avenida Dias da Silva em frente ao número 112, onde Zeca Afonso viveu em casa de uma tia. "O núcleo de Coimbra, apesar do peso histórico e de ter necessidade de dar continuidade à obra do Zeca, na prática, não tem tido grande sucesso".

Este núcleo funciona apenas há dois anos e não tem ainda sequer uma sede e faltam apoios ao funcionamento. Uma pena, diz Deolinda Portelinha, tendo em conta a marca que Zeca Afonso deixou na cidade e na canção de Coimbra. "Surgiu a hipótese de fazermos a sede no sótão da Brasileira, um local mítico e com forte ligação a Zeca Afonso, mas a remodelação custa 15 mil euros".

Dinheiro que o Núcleo não tem. A ajuda da autarquia ainda não chegou. Será porque Zeca Afonso caiu já no esquecimento de Coimbra? "Acho que não. Zeca Afonso continua muito presente, pelo seu testemunho político e, em termos musicais, é perpetuado constantemente".

Para perpetuar a memória de Zeca em Coimbra, o núcleo da AJA conta estabelecer, em breve, uma parceria com a Orquestra Clássica do Centro, para organizar iniciativas à volta de Zeca Afonso, no Pavilhão Centro de Portugal.

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