"Assédio" ou "saltos altos"? Porque andam menos as mulheres de transportes públicos?

A EMEL quer saber por que razão as mulheres utilizam menos os transportes públicos do que os homens. A empresa vai coordenar um estudo europeu sobre os problemas femininos na rede pública de transportes.

A Empresa Municipal de Mobilidade e Estacionamento de Lisboa (EMEL) vai coordenar as atividades do Observatório Nacional do projeto europeu que, nos próximos três anos, vai estudar os problemas e as soluções para a utilização feminina dos transportes nas cidades.

Em entrevista à TSF, o presidente da EMEL, Luís Natal Marques, avança alguns palpites que podem ajudar a perceber a forma como as mulheres utilizam os transportes públicos em Portugal.

"Provavelmente, o sistema não está adaptado a algumas das características femininas, como o uso de saias e saltos altos", admitiu Luís Natal Marques, apontando a fraca utilização, por parte das mulheres, do sistema público de bicicletas da EMEL, em Lisboa.

O presidente da EMEL refere que o assédio sexual de que as mulheres são alvo nos transportes públicos pode também ser uma limitação à preferência por esta forma de transporte.

Em vários países, o problema foi combatido com a criação de carruagens separadas por género. Luís Natal Marques não concorda com esta solução: "Temos que velar por alguma inclusividade nos transportes públicos. Eu sei que agora está na moda construir muros, mas não é essa a minha perspetiva."

Pelo contrário, a criação de "botões de pânico" nos transportes públicos - que podem ser acionados em caso de emergência - já é uma questão equacionada pela EMEL.

"Os botões de pânico podem ser uma solução", admite Luís Natal Marques, que pondera também a reorganização das paragens de autocarro, para que estas passem a situar-se em locais mais movimentados e menos perigosos.

EMEL vai gerir semáforos e túneis de Lisboa

A EMEL vai passar a ter novas competências, para além do estacionamento em Lisboa, passando a gerir a rede de semáforos e túneis da capital portuguesa. As novas funções da empresa acontecem no âmbito da delegação de competências do município.

"A Câmara [Municipal de Lisboa] entende que nós temos muito mais aptidões, por sermos a empresa de mobilidade da cidade de Lisboa, de levar à prática estas tarefas", reforçou o presidente da EMEL.

A alteração dos estatutos da empresa foi tema de debate na reunião do executivo municipal da última quinta-feira, na Câmara Municipal de Lisboa. A proposta é dos vereadores da Mobilidade, Miguel Gaspar, e das Finanças, João Paulo Saraiva.

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