Cheias de 67: "A tragédia revelou as brutais desigualdades do regime"

A TSF ouviu o testemunho de Rui Godinho, antigo vereador da câmara de Lisboa, um dos primeiros a chegar junto das vítimas das grandes cheias de 1967.

"Estava a acabar de chegar ao Instituto Superior Técnico e apanhei o meu primeiro violento choque com uma realidade absolutamente terrível que era a iníqua pobreza com que se vivia na área metropolitana de Lisboa."

Rui Godinho era na altura estudante do Técnico. Esteve entre os primeiros voluntários a chegar aos lugares da tragédia em novembro de 1967.

Dessa altura, o antigo vereador da Câmara Municipal de Lisboa e atual presidente da assembleia geral da Associação Portuguesa de Distribuição e Drenagem de Águas (APDA) recorda os bairros de lata em leitos de cheia, as construções precárias, a pobreza extrema, principalmente nas zonas limítrofes de Lisboa.

Em conversa com Fernando Alves, na Manhã TSF, Rui Godinho revela que o local onde mais choveu foi no Estoril, mas ninguém morreu no Estoril. "A tragédia pôs a nu as brutais desigualdades do regime de então."

Em 1967, foi na Associação de Estudantes do Técnico que se centralizaram os primeiros movimentos organizados de socorro às vítimas. Rui Godinho lembra que foram os estudantes os primeiros a chegar, "as autoridades ao terceiro dia ainda não tinham acudido a ninguém".

Para Rui Godinho, 50 anos depois das cheias, falta homenagear quem morreu de forma trágica às portas de Lisboa. "Ainda ninguém olhou para a necessidade de o país honrar a sua memória", salienta.

Ouça a Grande Reportagem "Tão longe, tão perto", de Cláudia Arsénio e sonoplastia de Miguel Silva, na antena da TSF, depois das 20h00.

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