Conservas de peixe com algas podem ajudar a reduzir consumo de sal

Inclusão das algas pode ser uma forma de trazer inovação às conservas tradicionais bem como dar mais iodo a quem consome este tipo de produto. Projeto está a ser desenvolvido no Porto.

Investigadores do Porto desenvolveram conservas de peixe e moluscos com macroalgas da costa portuguesa, recurso que contém nutrientes fundamentais para a saúde e para o desenvolvimento humano e cuja integração na alimentação pode permitir reduzir a dependência do sal.

Simone Morais, uma das investigadoras do projeto e docente do Instituto Superior de Engenharia do Porto (ISEP), uma das entidades envolvidas, considera que esta pode ser uma forma de trazer inovação às conservas tradicionais bem como dar mais iodo a quem consome este tipo de produto.

Com a inclusão de macroalgas, as conservas passam a conter manganês, zinco e iodo, "um micronutriente essencial e cujo défice na dieta alimentar" é um dos "principais problemas socioeconómicos e de saúde pública na Europa", indicou a investigadora do Grupo de Reação e Análises Químicas (GRAQ) da Rede de Química e Tecnologia (REQUIMTE) do ISEP.

Essas macroalgas, que podem ser de origem selvagem ou de aquicultura, são colhidas e secas de seguida, de forma a manter a conservação, voltando a ser hidratadas antes da preparação das conservas, que também podem ser produzidas com algas frescas, explicou.

Durante o projeto, as macroalgas foram também utilizadas como potenciadoras de sabor salgado e umami (um dos cinco gostos básicos do paladar humano), estando a ser agora estudada a possibilidade de diminuição do sal nas conservas.

Para Simone Morais, os resultados comprovam o potencial diferenciador da utilização das algas nos produtos de conserva, visto trazerem benefícios ao nível sensorial, possibilitando uma maior diversidade aos consumidores, e ao nível nutricional, permitindo colmatar algumas das "mais preocupantes" deficiências alimentares.

A investigadora acredita que, devido ao valo nutricional das algas, em particular pelo seu conteúdo em micronutrientes essenciais e em proteínas de elevado valor biológico, a integração destas na alimentação pode assumir grande relevância, respondendo também à "intensa e crescente" procura dos consumidores por alimentos mais saudáveis e naturais.

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